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Novos 'gênios': segredos nada secretos


Passar em vários vestibulares concorridos requer muito estudo, disciplina, persistência e equilíbrio


20/02/2012 - 10h59 . Atualizada em 20/02/2012 - 11h06
Inaê Miranda   DA AGENCIA ANHANGUERA  
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Patrícia Gardiman Arruda
(Foto: Arquivo pessoal)

Entrar na lista dos primeiros colocados das universidades mais disputadas do País não é uma missão fácil. A concorrência cresce a cada ano e a oferta de vagas avança em ritmo bem mais lento. Mas muitos jovens conquistaram esses primeiros lugares em uma, duas, três e até em quatro das melhores universidades públicas do Brasil de uma só vez. Eles não se consideram superdotados e revelaram o segredo. Por trás dos resultados, a determinação, a disciplina e o equilíbrio foram peças-chave para as feras. 

Victor Lopes Mendes Roland tem 17 anos e prestou o vestibular para quatro universidades públicas e uma faculdade particular para os cursos de Economia e Relações Internacionais (RI). Ele foi aprovado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além da faculdade particular Facamp. Apesar de morar bem ao lado da Unicamp, optou por cursar RI na USP. 

Ele conta que até conseguir a vaga, ou as vagas, tinha uma rotina de estudo pesada. Cursava o Ensino Médio pela manhã, fazia cursinho à noite e ainda dedicava parte da tarde, em casa, aos livros. Estudava em média 12 horas por dia durante a semana. Aos sábados, cursava italiano e, como ninguém é de ferro, aos domingos descansava. Aí valiam as redes sociais, televisão e cinema com os amigos.“Procurei me dedicar bastante aos estudos, mas sempre contrabalanceando com o lazer”, diz. 

Augusto Fernandes, de 20 anos, foi aprovado em Engenharia de Alimentos na Universidade Federal de Lavras (Ufla), na USP e na Unicamp. Ele também é vizinho da Unicamp e decidiu ficar perto de casa. Augusto revela que nunca foi muito de estudar, mas que sempre procurou prestar bastante atenção às aulas. Ainda assim, a diversão ficava sempre para o fim de semana. “Casa de amigos, baladas e cinema eram só aos sábados e domingos. Durante a semana, sempre procurei me policiar”, afirma.
 
Depois de cursar o primeiro ano de Engenharia Química na Unicamp, Frederico Gaia, de 19 anos, descobriu que não era bem a carreira que desejava seguir. Não trancou a matrícula, mas, concomitantemente, voltou às salas de aula do cursinho com o objetivo de passar em medicina. Foi aprovado em quatro universidades públicas de uma só vez. “Procuro me esforçar bastante para conseguir o que eu quero”, diz. Cinema, teatro, barzinho e as festas da Unicamp não precisaram sair do cronograma de Frederico. 

Estudante de escola pública, Alexandre Foratto, de 19 anos, também surpreendeu. Ficou em quarto lugar no curso de medicina na Unicamp e também foi aprovado em medicina na Santa Casa da USP. Como mora em Campinas, optou pela Unicamp. Ele conta que, durante o ano passado, abdicou das atividades extras e procurou focar apenas no vestibular. Via a namorada apenas uma vez por semana. “A rotina foi essa o ano inteiro. Foco nos estudos”, afirma. 

A campineira Patrícia Gardiman Arruda, de 21 anos, passou em medicina na Unifesp, na Santa Casa e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). Em dois anos de preparo para o vestibular, ela diz que aprendeu a se concentrar e passar mais tempo estudando. “Essa ideia de que só entram os gênios não é verdade. Eu era uma aluna mediana, mas aprendi a ter disciplina no estudo.” O segredo para quem vai entrar na batalha por uma vaga, segundo ela, é ter um objetivo e não desistir dele. “Por mais que seja difícil e que você tenha que abrir mão de muita coisa, a recompensa é grande”, afirma. 

Para os estudantes, a concentração no conteúdo oferecido em aula, a resolução de exercícios e simulados, a calma e o controle da ansiedade foram decisivos no momento das provas, além, é claro, do apoio da família. “Acreditei no que estudei o ano inteiro e procurei fazer os vestibulares com tranquilidade. E os meus pais estavam mais confiantes do que eu. Isso me ajudou muito”, afirma Alexandre. “Os meus pais me apoiaram bastante. Acreditaram em mim e não interferiram nas minhas escolhas”, diz Victor. Os campeões também mostraram que o lazer não precisa ser excluído dos vestibulandos, basta elencar as prioridades e dedicar um tempo maior a elas.

Autocontrole

Além do conhecimento, o vestibular mede também o controle emocional do candidato, segundo Rita Khater, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). O vestibulando que estudou o ano inteiro e tem todo o conteúdo na ponta da língua, se não souber controlar a ansiedade, não será suficiente. “Se o jovem for ansioso e não souber lidar com as emoções, não vai ter o desempenho compatível com o grau de conhecimento”, explica. 

Esse controle emocional, segundo a especialista, pode ser alcançado com o preparo adequado e com o apoio da família, da escola e dos amigos. “O estudo e todo o esforço que esse vestibulando teve o ano inteiro colaboram para o controle emocional e para aumentar a autoconfiança, mas não são suficientes. A família, os amigos e a escola também podem favorecer, dando apoio, como podem prejudicar o desempenho do vestibulando, se houver muita exigência e pressão”, ressalta.







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