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Jogar videogame de forma moderada pode fazer bem ao cérebro


Morte de um chinês após ficar três dias jogando sem parar retomou discussão sobre efeitos do uso prolongado de videogames e computadores


18/04/2011 - 12h15 . Atualizada em 18/04/2011 - 13h35
Patrícia Azevedo   Agência Anhangüera de Notícias  
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Keide de Lima, com os filhos Lucas e Luigi, que jogam desde os 3 anos, diz que esconde os consoles durante os períodos de prova na escola
(Foto: Edu Fortes/AAN)

A morte de um chinês após ficar três dias jogando sem parar em uma lan house retomou a discussão sobre os efeitos do uso prolongado de videogames e computadores no cérebro de crianças e adolescentes. Os jogos estimulam várias áreas do cérebro e intensificam a atividade no sistema nervoso central, explica o neurocientista da Unicamp Fernando Cendes. Ele diz que a forma como o cérebro age diante de um game é semelhante à forma como age no desempenho de ações cotidianas, como ver televisão, andar, dirigir, fazer escolhas ou trabalhar. 

O neurocientista acrescenta que mesmo o uso intensivo e prolongado não é suficiente para provocar um blecaute cerebral. Explica que o órgão está preparado para lidar com situações de estresse. “O cérebro é muito resistente, tem uma plasticidade muito grande”, afirma.
Cendes acredita que a morte do chinês tenha sido em decorrência de problemas de coração, possivelmente provocados por trombose e embolia (bloqueio de uma artéria), após o gamer permanecer 72 horas numa única posição. Numa situação extrema como a ocorrida na China, em que o homem ficou três dias sem dormir e comer direito, o corpo sofre muito com a privação do sono. “O ser humano não pode ficar sem dormir”, alega. 

Na China, segundo estimativas locais, a dependência dos jogos eletrônicos afeta 33 milhões de adolescentes. Cendes afirma que o vício ocorre devido a uma série de fatores. “É sabido que os meninos têm mais chance de desenvolver o vício e criar o hábito de jogar desde cedo pode aumentar a predisposição ao problema”, diz. 

As mulheres estão menos suscetíveis ao vício em games por questões culturais. “Meninos são estimulados a jogar e os próprios jogos têm um conteúdo mais masculino”, pondera. 

Evitar que crianças e adolescentes desenvolvam o vício não é tão difícil, afirma Cendes. Ele orienta os pais a colocar as crianças para desenvolver algum tipo de atividade física. “É importante não deixar computador ou jogo no quarto das crianças, mas proibir não é adequado. É melhor estabelecer regras para o uso”, afirma. 

O uso moderado de consoles, salienta o cientista, não traz prejuízos à saúde. Pelo contrário, pode trazer benefícios principalmente para crianças e adolescentes. Entre eles estão melhora na coordenação motora e nos reflexos diante de várias situações. 

“Vários estudos analisaram a reação a estímulos de jogadores e a compararam com o tempo de reação de pessoas que não costumam jogar. Eles mostraram que os gamers são mais rápidos ao responder a estímulos aleatórios”, observa. 

Os games de estratégia, por exemplo, podem contribuir ainda para acelerar a velocidade de raciocínio. “Por isso existem jogos específicos para reabilitação cognitiva e os educativos que são usados para coordenação motora”, diz Cendes.

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