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Luiz Dutra e Arsenio Pagliarini
Esta terceira e última parte do balanço da CES2012 - veja parte 1 e parte 2, vai abordar mais algumas novidades que chamaram atenção nos quatro dias da feira. Como abordado no artigo “O Mundo Apple e o resto”, o ecosistema criado em torno da Apple está consolidado e extremamente ativo.
Desde nanoempresas – como a que apresentou luvas especiais para uso de telas de toque a grandes empresas, todas têm produtos para adicionar funcionalidades, serviços, e portanto, mais valor aos produtos da Apple.
A iLuv, por exemplo, tem um sistema que transforma um iPad em uma estação de trabalho com teclado padrão. A iBaby usa a plataforma da Apple para monitorar crianças com uma câmera com controle de movimentos.
A iHealth apresentou uma balança e um sistema de medida de pressão. Já no campo das curiosidades, a Bone Collection produziu cornetas acústicas para amplificar o som de iPhones sem uso de energia.
A italiana I´M watch mostrou um dispositivo que, conectado a um smartphone, se transforma num elegante relógio ou no que o usuário desejar. Smartphones também são um conveniente dispositivo para se controlar equipamentos de diversos tipos, até bolinhas.
E para encerrar os comentários do mundo Apple, vários fabricantes, como a Maxell com sua linha AirStash e a HyperDrive, com seu CloudFTP, criaram equipamentos que se conectam por rádio, diretamente ao tablet ou smartphone, para servir de armazenamento remoto, tal como um pen drive, ou um media Center - é possível assistir ou mostrar em uma TV o que está no dispositivo móvel -, ou ainda para mostrar no tablet o conteúdo de fotos ou outros arquivos por meios de pen drives ou cartões.
Resumindo, um enorme mercado secundário se criou em torno da linha iPx (iPad, iPhone, iPod) da Apple, o que aumenta ainda mais sua utilidade e valor.
Um círculo virtuoso foi estabelecido: bons produtos possibilitaram criar acessórios úteis, que por sua vez, criaram melhores produtos, que por sua vez gera produtos ainda melhores, que vendem mais, que precisam de mais acessórios, e assim vai. Todo esse suporte “externo”, aliado a uma linha de produtos de alta qualidade e um bem arquitetado ambiente comercial, que tira proveito econômico da mídia e do software que os usuários usam nos seus terminais próprios, recriou em escala mundial um modelo de negócio que se assemelha aos ambientes fechados desfrutados hoje, por exemplo, por algumas mídias tradicionais como as redes de televisão aberta.
Nessas, o controle da rede e do conteúdo é de uma única empresa, o que permite modelos de negócio altamente rentáveis. A internet colocou em xeque esse modelo, mas o brilhante Steve Jobs conseguiu “reverter” a situação, por assim dizer. O fato é que hoje a Apple é o oponente a ser batido. Gigantes como a Microsoft, com o Windows 8 e a Google, com o Android, estão lado a lado nessa batalha contra o (até agora) jogador dominante. E pelo que se viu na feira, a guerra vai ser dura e longa.
Um balanço da feira não pode deixar de abordar os computadores. O artigo eletrônico de consumo por excelência até há alguns anos, esses equipamentos perderam o lugar de destaque que sempre tiveram desde o surgimento dos computadores pessoais no século passado.
Com o encerramento das grandes feiras de informática como a Comdex, a CES tomou o lugar daquelas no lançamento de novos produtos de computação.
Embora eclipsados por todo o momentum do mercado dos sistemas móveis conectados à Internet, é evidente que o mercado dos laptops, dos PCs e agora, dos ultrabooks, continua muito significativo.
Alguns produtos tiveram um diminuto, mas ainda vivo, espaço na feira. Como já foi comentada, uma boa agitação ainda foi feita em torno dos ultrabooks que não deixam de ser cópias atrasadas do Apple MacAir, mas ainda assim, novidades muito bem vindas para o majoritário mercado Windows. Foram lançadas várias dezenas de modelos de ultrabooks, tanto pelos gigantes como Dell, Samsung, HP, como muitas fábricas nanicas.
Trouxe certo interesse também as estações baseadas no sistema operacional Chrome da Google mostradas pela Samsung. Já presentes na feira do ano passado, mas revigorados com novos layouts e gabinetes que permitem montar um Data Center inteiro em apenas um armário, a Xi3 revigorou sua linha de computadores modulares, expandindo as configurações possíveis dessas pequenas engenhocas que (quase) cabem na palma da mão.
Várias fabricantes e organizações também mostraram novidades em tecnologias de rede, com e sem fio. Entre muitos, é de se destacar o desenvolvimento da nova norma wi-fi 802.11ac/5G, conhecida popularmente como wi-fi 5G, e que promete velocidades acima de 1 Gbps para conectar múltiplos dispositivos de vídeo, som e dados.
Com o desenvolvimento iniciado há um ano, protótipos foram anunciados na feira pela Broadcom e pela Buffalo. A tecnologia ainda não tem data para aparecer como padrão em qualquer aparelho.
A CES é um grande caldeirão, colocando lado a lado gigantes da indústria estabelecida e pequenos inventores com idéias ainda em estágio muito inicial, tais como o pesquisador universitário que demonstrava sua tecnologia de projeção 3D com lasers. Embora hoje esteja longe de ser um produto e a imagem projetada ser muito rústica, quem sabe não está ai o futuro dos displays holográficos? Ou simplesmente, será mais uma tentativa frustrada? Difícil dizer.
O que está patente é a intensa vitalidade dessa indústria multifacetada que está criando um novo futuro, muito difícil de antecipar e que será, com certeza, polêmico. Novos titãs surgem sepultando heróis anteriores do dia para a noite. A “destruição criativa”, conforme descrita por Joseph Schumpter no distante ano de 1942, está mais que presente nos corredores da feira.
E para encerrar, uma nota, no mínimo, curiosa. Embora as novidades tecnológicas tivessem toda a atenção possível dos milhares de presentes, não deixa de ser estranho que a maior comoção testemunhada por nós, envolvendo o maior número de pessoas, câmeras, celulares e filmadoras foi a presença de Justin Bieber, que compareceu à feira para promover um produto.
Marmanjos engravatados e todo tipo de audiência se acotovelaram para conseguir obter uma foto da celebridade teen. A tecnologia é sempre acessória ao fator humano. E essa é a chave para se entender o que se viu nessa feira.
A tecnologia está firmemente empenhada em aproximar pessoas, criar produtos que geram novas formas de relacionamento. Não se fala mais em aumentar a produtividade, em milhões de operações por segundo, megahertz e outras tecnicalidades que dominavam o mundo dos PCs, da Intel e da Microsoft.
O mundo da Apple, Facebook e Google tem a ver com entretenimento, encontro de pessoas, mobilidade, conforto e novas funcionalidades. O resultado dessa busca é impossível de se prever, mas será, com certeza, fascinante.




























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