Já são quase seis meses do impeachment do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) e, desde então, a sociedade campineira não tem visto mais o pedetista circulando pela cidade. Entre os aliados políticos e os que mantinham relação profissional com o ex-prefeito, a reportagem do Correio apurou que o seu advogado, Alberto Luís Mendonça Rollo, é uma das únicas pessoas que admite ainda manter contato com o Dr. Hélio. Rollo afirmou que esteve com ele na quarta-feira da semana passada em seu escritório, em São Paulo. No entanto, não soube informar se o pedetista tem ficado em São Paulo ou Campinas.
O fato é que, em Campinas, o pedetista não tem sido visto em seus antigos círculos e redutos políticos ou lugares que costumava frequentar. A reportagem do Correio foi a restaurantes em que Hélio era assíduo visitante, ouviu vizinhos, aliados políticos e dirigentes públicos que eram de sua confiança durante o seu governo, mas não conseguiu resposta à questão que a maioria dos campineiros gostaria de ver respondida: “Onde está Hélio?”.
A frase, uma referência a um jogo chamado Onde está o Wally?, que ficou conhecido no mundo todo por levar o participante a procurar a figura de Wally em meio a uma cena repleta de coisas acontecendo ao mesmo tempo, reflete a mesma sensação na vida real: a dificuldade em encontrar um personagem dentro da própria cidade que ele comandou por sete anos.
Desde a sua cassação, em agosto, o ex-prefeito havia diminuído as aparições públicas. A última cena foi no final do ano passado, quando circulou pela internet uma foto em que o pededista aparecia ao lado da sua esposa, Rosely Nassim Jorge Santos, em um badalado endereço da Capital paulista. A foto foi publicada pelo Correio e, na época, de acordo com o autor da imagem, que não foi identificado, o casal havia sido flagrado na Rua Oscar Freire, endereço de grifes de luxo, às vesperas do Natal. Depois, Hélio não teria mais sido visto.
“Nossa, meu Deus, nunca mais o vi, estou sem notícias desde quando tudo aconteceu (a cassação)”, afirmou o vereador Francisco Sellin (PMDB), que era líder do governo Hélio na Câmara. O vereador do PCdoB Sérgio Benassi, o único que votou contra a cassação do ex-prefeito, informou, por meio de assessor, não ter contato com Hélio e que ele “sumiu”. A assessoria reafirmou que o apoio ao Dr. Hélio pelo vereador foi programático em relação ao projeto de governo que foi vencedor nas urnas. No entanto, diz a assessoria, o vereador não tem vínculos pessoais com o ex-prefeito e nenhum contato atualmente.
Outro aliado e “homem de confiança” de seu governo, o ex-secretário de Saúde, Francisco Kerr Saraiva, afirmou também não ter mais contato com o ex-prefeito. “Apesar do meu convívio anterior com o Dr. Hélio, porque fui um dos seus homens de confiança, não tenho mais contato”. Questionado sobre Hélio ser seu paciente, já que o ex-secretário também é cardiologista, Saraiva afirmou não ser ético fornecer esse tipo de informação.
Na residência campineira de Hélio, em condomínio fechado no Jardim Nilópolis, região Leste, vizinhos não têm mais visto o ex-prefeito, que costumava caminhar pelo residencial. A fachada da sua casa e o jardim bem cuidado dão aspecto de que a residência tem sido frequentada, mas não há informação de quem está morando nela: familiares ou até mesmo um caseiro.
Boato
Um dos boatos que corre é que o Dr. Hélio estaria nos Estados Unidos, onde uma de suas filhas vive, engajado na construção de um shopping. No entanto, a informação de que estaria fora do Brasil é negada pelo advogado.
Em um dos restaurantes frequentados pelo ex-prefeito, garçons e manobristas informaram não terem mais visto Hélio. Um garçom confidenciou que, após três meses da cassação, o ex-prefeito chegou a ser visto durante um almoço com diretores da Prefeitura. Depois disto, nunca mais. O garçom comentou também que trabalhou durante muito tempo em um dos sete restaurantes de um hotel de luxo de Campinas, onde atendia Hélio e sua esposa com frequência. “Depois do impeachment, nunca mais”.