A Justiça de Campinas determinou que o ex-diretor de Planejamento da Prefeitura de Campinas Ricardo Chimirri Cândia compareça à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção para prestar esclarecimentos sobre atos irregulares que teriam ocorrido na gestão do então prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Cândia foi apontado pelo Ministério Público (MP) como integrante de um esquema criminoso supostamente organizado pela ex-primeira-dama Rosely Nassim Jorge Santos. O ex-diretor foi convocado pelos parlamentares por duas vezes para prestar depoimento, mas faltou nas duas ocasiões. O depoimento de Cândia está previsto para a próxima terça-feira.
Com determinação judicial, Cândia fica obrigado a comparecer na Câmara mas, segundo seu advogado, Ralph Tórtima Stettinger Filho, seu cliente pode ir até o Legislativo mas ficar em silêncio durante os questionamentos dos vereadores. “Essa é uma decisão que já foi tomada. De que Cândia só vai se manifestar judicialmente”, disse. Stettinger Filho ainda não foi oficiado da decisão mas disse que irá analisar o teor do documento para saber se cabe recurso.
O vereador Artur Orsi (PSDB) se diz satisfeito com a decisão da Justiça. “Considero de extrema importância para a CPI os esclarecimentos de Cândia, principalmente no que diz respeito às questões de empreendimentos imobiliários que foram aprovados na cidade”, disse.
A Câmara havia feito no ano passado uma tentativa de notificar judicialmente Cândia a comparecer na CPI. No entanto, como Cândia faz parte do mesmo processo de Demétrio Vilagra (PT), que era na época o prefeito de Campinas, não coube à Justiça local a decisão, uma vez que o petista possuía foro privilegiado e todos os volumes do Caso Sanasa foram enviados ao Tribunal de Justiça.
Outros
Também por determinação judicial, a CPI vai ouvir o empresário Washington Deneno, sócio de Cândia. Deneno será ouvido no dia na quarta (15) também a partir das duas da tarde. Orsi informou nesta quinta-feira que a CPI vai convocar o ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Carlos Henrique Pinto. A expectativa é que Carlos Henrique seja ouvido já na semana que vem.
Esquema
No relatório do Ministério Público que culminou na denúncia de Cândia, os promotores afirmam que o ex-diretor, apesar de ter deixado a função pública ainda no primeiro mandato do governo Hélio, continuou atuando dentro da Administração. Cândia seria o responsável por intermediar negociações para a liberação de construções de empreendimentos imobiliários na cidade.
No relatório a Promotoria descreve: “Na verdade, pelo que se pode perceber durante o período em que suas comunicações foram monitoradas, é que Ricardo Chimirri Cândia passa o dia todo marcando encontros pessoais em bares, cafés e restaurantes, apesar de ser sócio de empresas constituídas que atuam no ramo imobiliário”, disse.