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| Natan Dias | DA AGÊNCIA ANHANGUERA | ||
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Enquanto o cidadão comum caminha pelo Centro de Campinas preocupado com as compras de final de ano, os vereadores estão prestes a aprovar um presente de Natal já para 2013: aumento de 126% no próprio salário, na sessão da próxima segunda-feira. Para o cientista político Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto que prevê a elevação de R$ 6,6 mil para R$ 15 mil, que irá ocorrer em 2013, é “um tiro no pé da democracia”. Em Americana, o Legislativo tentou elevar em 60% o repasse no final do mês de novembro, mas devido à pressão popular, teve de recuar. Para campineiros ouvidos pelo Correio, o aumento é “absurdo”.
Para o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas (STMC), Marionaldo Maciel, a sociedade deveria se manifestar e agir para evitar que o projeto fosse aprovado. “Se não houver uma reverberação, eles (os vereadores) irão passar com o rolo compressor por cima e aprovar em turno único. Estamos em um momento de overdose de más notícias e a sociedade está incrédula com tantas coisas ruins que estão acontecendo em Campinas”, disse Maciel.
Entretanto, a reportagem apurou nas ruas do Centro que a população sequer sabia do aumento. “Como? Estão querendo aumentar? É verdade isso? Que absurdo! Não fazem nada e ainda querem ganhar mais? Tem certeza que isso é legal? Eu não acho legal não. Tem que baixar, isso sim”, disse o desempregado Fábio Fernandes Leite, de 32 anos.
O presidente da associação do bairro Jardim Itaguaçu I, Elzito Tolentino Silva, o Peninha, que deve se candidatar no próximo ano a um cargo público, afirma que ouve promessas em toda véspera de eleição, mas não tem retorno dos parlamentares que ajudou a eleger. “O povo aqui do bairro veio falar para eu me candidatar porque eles estão revoltados com vereadores que vêm aqui prometer várias coisas e não cumprem. Procurei vários deles depois de eleitos, mas todos dizem que vão ver o que podem fazer e não ajudam”, contou. “Eu não acho errado aumentar o salário, mas acho que tem que trabalhar para merecer.”
O presidente da Câmara Municipal de Campinas, Pedro Serafim (PDT), disse que não considera o aumento imoral e que apenas copiou “o texto da Constituição Federal”. “Ficamos 17 anos sem reajuste, que apenas começou a ocorrer, salvo engano, em 2005, que acompanhava a inflação. Imoral é roubar, o nepotismo, o apadrinhamento e depender de ajuda do Executivo. Trabalhar para receber, não é”, disse.
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