Shoppings sempre foram considerados sinônimos de consumismo, mas algumas medidas têm ajudado a reverter essa imagem e inserir os centros comerciais nas iniciativas de sustentabilidade. O Parque D. Pedro Shopping decidiu implantar uma medida ambiental, inclusive, nas grandes liquidações de férias, como ocorreu na última delas, realizada no primeiro fim de semana deste mês. O projeto ganhou o nome de Liquidação Código Verde.
A princípio, muitos podiam imaginar que “verde” era só uma estratégia publicitária para chamar os clientes, afinal, a cor é usada constantemente para indicar algo como um “passe livre para as compras”. Mas, tinha outro sentido: o grupo Sonae Sierra Brasil, que além do D. Pedro tem outros nove shoppings no País, contratou uma empresa, a Usina Azul, para que pudesse desenvolver um projeto para neutralizar todo o carbono liberado durante os quatro dias da liquidação. Assim, todo o prejuízo que levaria para a atmosfera vai se transformar em árvores para recuperar áreas da Amazônia e da Mata Atlântica.
A partir de cálculos que levam em consideração o gasto de energia elétrica, o fluxo de pessoas no shopping nos quatro dias e o consumo de materiais, entre outros, a empresa calculou que os dez shoppings do grupo seriam responsáveis por eliminar na atmosfera entre 300 e 500 toneladas de carbono. Para compensar tudo isso, serão plantadas nos próximos meses mil mudas de espécies nativas dos biomas em recuperação. Essas plantas serão monitoradas e receberão cuidados por dez anos até que estejam grandes o suficiente para sobreviver com autonomia, sem intervenção humana. “Para esse plantio, escolha do local e o monitoramento, contamos com o apoio também de ONGs (organizações não governamentais) que atuam no setor e nas regiões em recuperação”, explica o superintendente geral do D. Pedro, Francisco Ferraz.
Quem foi ao shopping durante o período de liquidações também ganhou um presente que tem tudo a ver com sustentabilidade e, além disso, é um dos assuntos do momento. Os clientes levaram suas compras numa ecobag, sacola ecologicamente correta, que pode ser reaproveitada. “Temos a preocupação de fazer com que tanto o lojista, os funcionários, os prestadores de serviços e os clientes possam perceber a importância dos cuidados ambientais e, principalmente, que ele pode colaborar”, afirma Ferraz. O superintendente acredita que, ao perceber que um shopping, com toda a sua complexidade logística e administrativa, desenvolve ações sustentáveis, os frequentadores mais facilmente terão argumentos para iniciar suas ações e fazer cobranças nos círculos de convívio.
A secretária Maristela Domene foi ao shopping durante a liquidação. “Eu achei a ideia da ecobag muito interessante. Agora, com o fim da distribuição gratuita das sacolinhas nos supermercados, vamos precisar de várias dessas. Além de ser um presente, sei que estou levando para casa algo que vai ajudar a melhorar o meio ambiente”, diz.
Tradição
Nos últimos seis anos, as liquidações realizadas pelos shoppings do Grupo Sonae Sierra Brasil têm se dedicado a chamar a atenção dos clientes para a sustentabilidade, sempre com uma ação diferenciada, como a distribuição de ecobags, mudas de árvores e até mesmo a possibilidade de ajudar o centro de compras a criar frases de impacto para divulgar ações sustentáveis. “Sempre que possível, nós tentamos fazer algum apelo nessa direção”, lembra Ferraz.
Exemplos disso são a divulgação, nas praças de alimentação dos shoppings, de dicas de como economizar energia e usar os recursos de modo consciente, realizada no Dia do Meio Ambiente (5 de junho), e a adesão ao movimento mundial A Hora do Planeta, no final de março, quando a iluminação decorativa do shopping fica durante uma hora totalmente desligada. A Hora do Planeta é uma iniciativa da ONG suíça World Wide Fund for Nature (WWF) e ocorre desde 2007.
SAIBA MAIS
A Sonae Sierra Brasil, proprietária do Parque D. Pedro Shopping é uma das principais administradoras de centros comerciais do Brasil e conta com acionistas da Europa e dos Estados Unidos. No País, são dez shoppings em atividade, reunindo quase 2 mil lojas. Três novos empreendimentos estão em construção pelo grupo. Mais informações no site www.sonaesierra.com.br .
Centro de compras é pioneiro em certificação ambiental
O Parque D. Pedro Shopping foi o primeiro empreendimento do setor a receber a certificação ambiental ISO 14001, reconhecida mundialmente. Atualmente, nove dos dez shoppings da Sonae Sierra Brasil já têm o certificado.
Várias medidas ambientais são adotadas pelo shopping desde a sua construção, iniciada em 2000 e concluída dois anos depois. Atualmente, 72% de todo o lixo gerado pelo shopping é reciclado. Sobras de alimentos são reaproveitadas para a fabricação de ração animal, cascas de laranja são transformadas em adubo orgânico e o óleo de cozinha retirado dos restaurantes da praça de alimentação é encaminhado para a fabricação de massa de vidro. Por mês, são cerca de 8 toneladas de óleo que deixam de ser desperdiçadas.
Um dos grandes destaques do shopping na área ambiental é a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada na área do empreendimento e que tem condições de tratar 100% do volume de água usado no shopping. Se não passasse por esse tratamento, estaria sendo despejada nos rios, sem qualquer preocupação ambiental, uma quantidade de água equivalente ao utilizado numa cidade de 15 mil habitantes.
Cerca de 70% da água tratada é reaproveitada no próprio shopping, nas descargas dos banheiros, lavagem dos pisos e irrigação de jardins. O restante, cerca de 7 mil metros cúbicos, é despejado, após o tratamento, nas águas do Ribeirão das Pedras, situado ao lado do shopping, no Jardim Santa Genebra. Para diminuir a quantidade de água que vai para o rio, o shopping projeta um sistema que permitirá utilizar a água tratada nas torres de resfriamento do sistema de ar-condicionado.
De acordo com Francisco Ferraz, superintendente do D. Pedro, a cada ano, o grupo Sonae edita um documento com metas de sustentabilidade e redução de gastos de energia para cada uma das unidades. A publicação serve para organizar eventos e treinamentos com os lojistas e os prestadores de serviço. “Essas metas, reajustadas a cada ano, estão sendo cumpridas, o que mostra que é possível manter os serviços com qualidade com menos prejuízos ao meio ambiente”, diz.