Os vencedores do projeto Sanasa de responsabilidade ambiental foram premiados com troféus em cerimônia realizada na manhã de ontem na Vert Eventos, em Sousas. Nesta quinta edição do prêmio, participaram 29 projetos — sendo 18 concorrentes na categoria público-privado (que envolve empresas e setores da Administração pública) e 11 na categoria do terceiro setor (que envolve voluntários individuais e organizações não governamentais). Foram premiados três projetos de cada categoria.
“O meio ambiente virou uma questão oficial e já sentimos a iminência de uma transformação radical de consciência sobre o tema. E quem participa deste projeto é um dos atores da mudança”, disse no discurso da abertura do evento, o diretor editorial do Grupo RAC, Nelson Homem de Mello.
O projeto de responsabilidade ambiental é uma parceria do Grupo RAC com a Sanasa e tem como um dos objetivos divulgar iniciativas voltadas ao meio ambiente que tenham compromisso com o que é preconizado na Agenda 21 Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Os trabalhos foram publicados semanalmente no jornal Correio Popular nos últimos seis meses e avaliados por um grupo de cinco jurados, formado por pesquisadores e especialistas da área. “Hoje a questão ambiental está adquirindo, cada vez mais, uma consciência abrangente e, esse projeto ajuda, estimula e incentiva a ampliação desta consciência e, obviamente, com resultados práticos de sucesso em prol de toda a sociedade”, afirmou o presidente da Sanasa, Fernando Vaz Pupo.
O primeiro lugar da categoria público-privado foi o projeto da Família Orgânica. “Somos pequenos produtores e isso demonstra que as pequenas iniciativas podem fazer grandes diferenças. Estamos felizes”, comentou o agricultor Dercílio Aristeu Pupin. A Família Orgânica é um grupo de 20 produtores rurais de Campinas que se organizou em uma associação para facilitar a produção e a venda de legumes e frutas sem agrotóxico. Cerca de 200 itens estão disponíveis para a comercialização, de acordo com a sazonalidade e respeitando o ciclo de produção natural. A associação também presta apoio a quem pretende produzir sem poluir o solo e a água.
O projeto da Ekobuild ficou em segundo lugar. De acordo com um dos sócios, Luís Felipe Beck, a empresa produz o tijolo verde que não vai ao forno e, por isso, diminui a quantidade de gás carbônico lançada na atmosfera. A empresa também faz o treinamento de mestres de obras e pedreiros para atuarem em construções sustentáveis. “O prêmio nos trouxe repercussão positiva e mais credibilidade”.
O terceiro premiado desta categoria foi o Projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC). Policiais militares do 35° Batalhão da Polícia Militar (PM), em Campinas, realizam esse projeto de conscientização ambiental em quatro escolas públicas da cidade. A proposta é também levar aos jovens informações sobre empreendedorismo e geração de renda.
Aplausos
Na categoria terceiro setor, a primeira colocada foi a voluntária Joana Gomes de Jesus, que foi aplaudida em pé pelo público presente e recebeu o troféu das mãos do prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT). Retirante nordestina, ela mantém a ONG Associação de Mães Amor à Criança, na região do Campo Belo, com a coleta e venda de recicláveis. Cerca de 180 crianças recebem alimentação, têm acesso ao mundo digital e fazem cursos na entidade. “Jamais esperaria um prêmio como este em toda a minha vida. Tenho uma história sofrida, mas cheia de conquistas”, comentou Joana, de 65 anos.
O prefeito elogiou a iniciativa do projeto. “No momento em que pessoas, empresas e entidades são premiadas por terem compromisso com o meio ambiente da cidade, para a Administração pública também é um ponto positivo. Espero que, para a edição do próximo ano, estejamos juntos para qualificar ainda mais a cidade de Campinas.” Além do prefeito, o evento também contou com a participação de secretários municipais e diretores da Sanasa.
Em segundo lugar, o Movimento Assistencial Espírita Maria Rosa também foi contemplado com um troféu. A entidade do Jardim Campineiro, em Campinas, oferece a adolescentes e jovens do bairro formação para transformar materiais recicláveis em peças de decoração ou brinquedos. Além disso, há uma oficina de recuperação de móveis. O projeto envolve o empreendedorismo juvenil, já que muitos descobrem na iniciativa uma forma de complementar a renda familiar.
A Cooperativa São Bernardo levou o troféu de terceiro colocado nessa categoria. A cooperativa é uma associação de catadores de materiais recicláveis que garante renda a cerca de 20 famílias, diminuindo preconceitos e retirando dos aterros sanitários, todos os meses, aproximadamente 46 toneladas de lixo. O projeto surgiu a partir do estímulo da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Campinas.