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Cana é matéria-prima de saco plástico renovável


Embalixo, de Campinas, dispensa combustível fóssil na fabricação


30/06/2011 - 07h46 . Atualizada em 30/06/2011 - 08h33
Agência Anhanguera de Notícias    
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Diretor da Embalixo, Rafael Costa, na fábrica da empresa
(Foto: Augusto de Paiva/AAN)
Resina produzida a partir da cana-de-açucar da Brasken
(Foto: Augusto de Paiva/AAN)

Fabiano Ormaneze
Especial para Agência Anhanguera
fabiano.ormaneze@rac.com.br

Enquanto o uso desordenado dos derivados do petróleo está na mira dos ambientalistas, uma empresa de Campinas criou uma solução para que se possa continuar usando sacos plásticos para armazenar o lixo, mas de forma menos agressiva e poluente. A Embalixo, localizada na região dos Amarais, é a primeira e única empresa brasileira a produzi-los sem usar combustíveis fósseis. No lugar, entra uma resina extraída da cana-de-açúcar, o que faz com seja totalmente renovável e reaproveitável.
Para a produção do saco, a empresa, instalada em Campinas desde a sua fundação, há sete anos, firmou parceria com a Braskem, petroquímica líder na América Latina, que fornece o plástico vindo da cana-de-açúcar por meio de um contrato de exclusividade. A Braskem, a primeira a produzir o polietileno — matéria-prima dos sacos plásticos — de forma alternativa em escala comercial no mundo, está localizada em Triunfo, no Rio Grande do Sul. A parceria representa a união de duas grandes empresas do setor em busca de sustentabilidade, já que a Embalixo também é líder nacional na produção de sacos plásticos para lixo.
Com o slogan “Solução Inteligente por um Planeta mais Verde”, os sacos sem derivados do petróleo estão à venda nos supermercados desde fevereiro deste ano e é fácil identificá-los: como forma de simbolizar a preocupação ambiental, são coloridos de verde. Em relação ao preço, de acordo com o diretor da Embalixo, Rafael Costa, o custo, se comparado com os sacos tradicionais, é, no máximo, 10% mais alto. “Fizemos questão de ter um produto de qualidade, mas sem grandes alterações de preço, já que esse é um fator determinante na hora de o cliente fazer a sua escolha. Queremos contribuir, inclusive, porque oferecemos um produto com preço adequado”, explica.
Por mês, a Embalixo consegue comercializar cerca de 130 toneladas de saco verde, o que já representa aproximadamente 30% de toda a produção da empresa, que também fabrica sacos pretos tradicionais, derivados do petróleo, e um terceiro tipo de embalagem, com componentes antibacterianos.

Fotossíntese

Além da não utilização do petróleo, a principal contrapartida do uso da alternativa da Embalixo está relacionada à captação de gases poluentes. Cálculos feitos por químicos da Braskem, a partir de critérios regulamentados internacionalmente, indicam que, para cada tonelada de sacos produzida, as plantações de cana-de-açúcar, por meio do processo de fotossíntese, conseguem absorver 2,5 toneladas de gás carbônico, o principal causador do efeito estufa e do aquecimento da terra. A produção dos sacos plásticos derivados do petróleo, por outro lado, é um grande vilão, já que a queima de combustíveis fósseis é a principal forma de eliminação do gás carbônico para a atmosfera.
Embora tenha essas vantagens, um problema que persiste é o fato de que, no meio ambiente, o saco verde tem um tempo de decomposição semelhante ao convencional, o que demonstra a importância de ele ser encaminhado à reciclagem. “Na própria empresa, todos os resíduos do plástico são reaproveitados”, diz Costa.

Divulgação

Um dos principais investimentos da Embalixo tem sido com a divulgação. Além dos rótulos informativos das embalagens, em vários pontos do País, a empresa mantém demonstradoras em supermercados, para que elas possam explicar os benefícios da utilização do saco verde.
O produto da Embalixo é vendido em praticamente todos os tamanhos habituais nas prateleiras dos supermercados brasileiros: pequenos, para lixeiras de banheiro e pia, além de 15, 30, 50, 100 e 110 litros. “Nossa proposta é oferecer um produto que possa, ao mesmo tempo, ser útil, tenha preço competitivo e ainda contribua com o meio ambiente”, afirma Costa.

Bactericida garante melhor aproveitamento

Antes de lançar o saco de lixo produzido com resina da cana-de-açúcar, a Embalixo já havia colocado no mercado, no final do ano passado, outro produto exclusivo: uma embalagem com proteção antibacteriana. Com esse componente químico, a proliferação de micro-organismos e a emissão de gases que causam mau cheiro são inibidas. A vantagem é que o consumidor pode aproveitar melhor o saco, retirando-o somente quando estiver cheio, além de colaborar com a higiene do local. “Isso facilita, principalmente, o armazenamento do lixo em dias ou em locais em que não há coleta”, explica o diretor da Embalixo, Rafael Costa. Além disso, o saco de lixo pode ficar dentro do quintal ou de casa até o dia correto para a coleta, evitando o acúmulo nas ruas e calçadas, que pode contribuir para enchentes. O componente químico utilizado nos lixos é produzido pela multinacional dos Estados Unidos Microban. Componentes similares produzidos pela empresa também são usados em objetos de decoração e utensílios domésticos. A proposta da Embalixo agora é produzir o saco de lixo proveniente da cana-de-açúcar com proteção antibacteriana. De acordo com Costa, até novembro deste ano o produto já deve estar nos supermercados. (FO/AAN)

Empresa é parceira em diversas ações ambientais

A Embalixo também participa de uma série de iniciativas para a redução do acúmulo de lixo nas áreas públicas e na conscientização da população para a necessidade de preservação e cuidados ambientais. A empresa assumiu o gerenciamento do lixo da Rua Oscar Freire, endereço das principais grifes na Capital paulista. Todas as lojas da via, localizada no Jardins, estão utilizando os sacos de lixo produzidos a partir da cana-de-açúcar. Além disso, a Embalixo também faz a coleta dos materiais recicláveis dos estabelecimentos da rua e os encaminha a cooperativas.
Outra iniciativa da qual a empresa participa é o movimento Limpa Brasil Let’s Do It!, que pretende reunir diversos setores da sociedade para remover resíduos depositados de forma inadequada no espaço público, por meio de campanhas educativas e mutirões. As atividades do movimento começaram no Rio de Janeiro, onde foram recolhidas 17 toneladas de materiais. Todos os sacos de lixo utilizados foram fornecidos pela Embalixo. A iniciativa vai percorrer outras 14 cidades, com mais de 1 milhão de habitantes, entre elas, Campinas.
A fim de aproveitar o crescimento do mercado para animais domésticos e também criar uma saída higiênica e adequada para recolher as fezes deixadas pelos cães pelas ruas, a Embalixo também produz um saco no formato de uma luva, que facilita ao dono do animal recolher com higiene e segurança os dejetos. (FO/AAN)

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