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PMs fazem ronda da cidadania


Dupla de policiais visita escolas para falar aos adolescentes sobre sustentabilidade e ética


23/06/2011 - 16h28 . Atualizada em 23/06/2011 - 16h39
Agência Anhanguera de Notícias    
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O soldado Michel Fidêncio e a sargento Sônia Aparecida de Carvalho Theodoro
(Foto: Augusto de Paiva/AAN)
Bruno Menegon e Mahá de Paula, no JCC desde 2009
(Foto: )
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Fabiano Ormaneze
Especial para Agência Anhanguera
fabiano@rac.com.br 

A sargento Sônia Aparecida de Carvalho Theodoro e o soldado Michel Fidêncio estacionam o carro em frente ao colégio. No automóvel, a distinção: Ronda Escolar. Mas, a visita que farão à Escola Estadual Disnei Francisco Scornaienchi, no Parque Jambeiro, em Campinas, não está ligada àquilo que se imagina, ao menos na visão mais tradicional, de um policial.

Na sala que ocupam para se reunir às quartas-feiras, eles se encontram com cerca de 30 alunos, vindos de todas as séries dos ensinos Fundamental e Médio. É o início de mais um encontro do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC), mantido pela Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo com o objetivo de estimular a participação e o envolvimento dos adolescentes, ou como define a própria polícia, o protagonismo juvenil, em questões como sustentabilidade, meio ambiente, ética e participação política.

Na Disnei, o projeto da polícia, mantido no Estado desde 1999, foi implantado há cerca de dois anos. Semanalmente, os dois policiais, pertencentes ao 35º Batalhão da PM, vão até a escola para as reuniões, nas quais passam as informações sobre os temas do JCC e orientam os projetos desenvolvidos pelos estudantes. O grupo que participa é sempre o mesmo, mas os integrantes atuam como multiplicadores, levando as informações aos colegas.  De cada turma, são selecionados para o projeto até dois representantes. 

Neste ano, a partir das discussões, os alunos decidiram criar uma campanha de arrecadação de óleo de cozinha. A ideia, inclusive, foi levada para outras três escolas em que Sônia e Fidêncio também atuam com o projeto, a Dom Barreto, na Vila Industrial; a José Maria Matosinho, no São Bernardo, e a Coriolano Monteiro, no Carlos Lourenço. Iniciado em maio, até agora, foram recolhidos, nas quatro unidades, cerca de 2 mil litros de óleo, um dos poluentes mais agressivos de rios e córregos. 

Cada uma das escolas passou a ter, no pátio, um reservatório para a entrega do óleo, depois enviado para cooperativas e pessoas que trabalham com reciclagem. Várias utilizações são dadas, entre elas a produção artesanal de sabão. Os resíduos de alimentos que ficam no óleo após a fritura também podem ser reaproveitados e transformados em adubo. “A iniciativa de criar essa campanha expressa bem o espírito do JCC, que é o de fazer com que o jovem se mobilize e encontre soluções para os problemas do dia a dia”, explica Sônia. A mobilização conta também com o auxílio da internet: cada escola participante criou uma comunidade no Orkut, site de relacionamentos, para divulgar o projeto e atrair novos colaboradores. 

Embora as reuniões nas escolas, entre os policiais e os alunos, ocorram uma vez por semana, o óleo chega todos os dias. “Entramos em contato com vários moradores das ruas próximas à escola e com os nossos vizinhos. Sempre tem algum colega que passa nessas casas e pega o óleo. Com isso, estamos ajudando até mesmo essas pessoas, já que estamos tirando da casa delas aquilo que seria lixo”, explica o estudante Bruno França Campos Menegon, de 14 anos, que participa do grupo do JCC na Escola Disnei desde 2009. 

Como as quatro escolas estão envolvidas no projeto, a arrecadação gerou uma competição, que está servindo como mais uma fórmula de estímulo. Uma parceria entre o JCC e o McDonalds vai dar, ao final do ano, o direito de a turma que mais arrecadar óleo fazer uma visita a uma das lanchonetes e ganhar o lanche. “Esse projeto está mostrando para nós como cada um tem a sua responsabilidade e pode colaborar”, afirma a estudante Mahá Freitas de Paula, de 14 anos.

Programa  estreita a relação com comunidade

O JCC é um dos projetos mantidos pela Polícia Militar com o intuito de aproximar a corporação e a população em geral, principalmente, os jovens. “Um dos objetivos é promover uma relação mais próxima entre os policiais e os adolescentes. Queremos mostrar que existe a polícia, composta de 100 mil pessoas que atuam em todo o Estado e que há também o policial, alguém próximo, que eles conhecem, com o qual colaboram e com quem podem contar”, diz o soldado Michel Fidêncio.

Além do JCC, outro projeto mantido pela Polícia Militar é o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que também atua nas escolas estaduais.  A partir do JCC, vários tipos de campanhas podem ser desenvolvidas, como arrecadação de brinquedos e agasalhos. “Para mim, o que era um projeto no qual eu acreditava se transformou numa grande satisfação pessoal”, afirma a sargento Sônia Aparecida de Carvalho Theodoro. 

O diretor da Escola Estadual Disnei Francisco Schornaienchi, Ernesto Conde, contabiliza os resultados do projeto na escola e na comunidade. Entre os ganhos, de acordo com ele, está até a melhoria do relacionamento entre os estudantes e uma participação maior da comunidade ao redor da escola e dos pais.  “Já integramos o Proerd e, agora, o JCC está servindo como um complemento, com ganhos para todos, além de ajudar a criar uma consciência ambiental entre os nossos estudantes”, explica Conde. Antes de iniciar o projeto, todos os pais foram comunicados por meio de uma reunião sobre o tema, o que ajudou a garantir a participação da comunidade.

Estudantes descobrem inimigo ambiental

Um dos ensinamentos que os adolescentes participantes do projeto JCC já absorveram é que o óleo pode parecer inofensivo, não gera tanto volume no lixo como outros produtos, mas é um dos principais inimigos do meio ambiente, principalmente da água. “Com o montante de 2 mil litros de óleo que os estudantes já arrecadaram nas escolas, estamos deixando de poluir cerca de 2 bilhões de litros de água”, explica o soldado Michel Fidêncio.

Os cálculos do policial são baseados no fato de que cada litro, dependendo da forma como é descartado e das condições atmosféricas, pode poluir até 1 milhão de litros de água. As partículas de óleo de cozinha acomodadas na superfície da água impedem a entrada da luz solar, necessária para deixar vivos os organismos aquáticos. A quantidade de água que pode ser contaminada com um litro de óleo de cozinha equivale ao consumo médio de uma pessoa adulta por cerca de 14 anos. Além disso, se não vai parar nos rios, o óleo pode atuar como um impermeabilizante no solo e causar entupimento em tubulações. Como todo material orgânico, o óleo de cozinha, em seu processo de decomposição, emite metano, um dos gases que causam o efeito estufa e gera o superaquecimento. (FO/AAN)

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