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| Fabiano Ormaneze | Agência Anhangüera de Notícias | ||
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Recém-inaugurado em Campinas, o Alphabusiness, complexo empresarial localizado ao lado do Condomínio Alphaville, foi concebido para ser ecologicamente correto, com a menor agressão possível ao meio ambiente, da construção à manutenção. O empreendimento, com 33 mil metros quadrados de área construída, já pôde usar em seus anúncios publicitários, desde o término das obras, em março, o título de primeiro complexo empresarial verde de Campinas e o primeiro edifício não governamental do Brasil com o selo de eficiência energética Nível A, concedido pelo Programa de Conservação de Energia Elética (Procel) para indicar aos consumidores os produtos ou estabelecimentos que proporcionam o máximo possível de economia de energia.
“Desde o princípio, tínhamos a ideia de que não bastaria fazer um empreendimento em uma cidade importante como Campinas, mas seria necessário também que ele agredisse o menos possível o meio ambiente. Muitas empresas desenvolvem ações de sustentabilidade, mas elas são focadas em pontos menores, centralizadas em alguns processos. No Alphabusiness, isso foi prioridade”, explica Virgílio Castro, diretor da incorporadora Alpha Plaza Empreendimentos e Participações, proprietária do empreendimento.
Na construção, feita sobre um terreno sem uso, até os caminhões recebiam cuidados especiais. Para não causar sujeira nas ruas próximas, o que está relacionado à preocupação social, um dos pilares da sustentabilidade, os pneus eram lavados com água pluvial ao saírem das obras. “A ideia era não causar transtornos nem resíduos, além do estritamente necessário. Trabalhamos com o tripé da sustentabilidade, levando em consideração aspectos sociais, econômicos e ambientais”, afirma Jair Soave Junior, diretor comercial da Átria Engenharia, responsável pela construção.
Foram feitos reservatórios para conter a água da chuva, liberada gradualmente depois para evitar enxurrada, erosões ou encharcamento do solo além da capacidade de absorção natural. O sistema continua ativo, mesmo com as obras prontas. Nas áreas externas, pisos especiais foram assentados com técnicas de encaixe, o que impede a impermeabilização causada pelo método convencional.
O terreno de 13 mil metros quadrados utilizado para a construção da obra não possuía nenhuma árvore que precisou ser retirada para a construção. No entanto, na concepção dos jardins do complexo, o paisagista Alexandre Furcolin fez um estudo prévio da flora original e optou apenas por plantas típicas. Isso faz com que os vegetais, por serem próprios para as características climáticas e geográficas da região, consumam menos água.
Informações sobre as plantas da região também podem ser vistas na entrada de cada um dos cinco blocos do empreendimento, batizados com nomes de árvores: ipê, manacá, jacarandá, jerivá e açaí. Com dois jardins entre os blocos, toda a decoração dos canteiros também utilizou madeira certificada, vinda de áreas reflorestadas.
Leed
A maioria das decisões tomadas pelo grupo durante a construção foi baseada no que preconizam as normas do Green Building Concil Institute (GBCI), que reconhece construções de edifícios e práticas ambientalmente corretas, por meio da concessão do título de Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), respeitado internacionalmente.
Entre as exigências, está a colocação de vidros e a construção das paredes com características, espessura e formatos que ajudem a equilibrar a troca de calor entre os ambientes interno e o externo. Lâmpadas mais fracas também foram colocadas nas áreas próximas às janelas.
“Esse é um sistema inteligente, que poupa gastos e evita desperdícios”, defende Soave Junior. Em vários locais, não há paredes nas extremidades para que possa haver o aproveitamento da luz solar e facilitar a circulação do ar.
Além das medidas em relação à construção, a Alpha e a Átria adotaram uma política contínua de redução do uso de energia e reaproveitamento de materiais. Uma sala foi destinada para ser o ponto de recolhimento dos resíduos que possam ser reciclados e, agora, a administração do complexo procura por uma empresa que possa assumir o controle e a destinação dos materiais recicláveis recolhidos.
Construção ecologicamente correta é até 7% mais cara
O custo de uma obra ecologicamente correta ainda é mais alto, se comparado com os métodos tradicionais de construção. Isso ocorre porque muitos materiais ainda são fabricados em pequena escala e a execução dos projetos exige a contratação de profissionais especializados.
De acordo com a construtora Átria, responsável pelas obras do Alphabusiness, um empreendimento com proposta de construção ecológica custa até 7% mais. “Um detalhe é que esse custo não pode ser repassado para o cliente, porque as pessoas estão em busca de preço e ninguém quer pagar mais”, diz Virgílio Castro, da incorporadora Alpha.
Por outro lado, Castro garante que o preço do condomínio e as despesas fixas são inferiores, pois os gastos com água e luz elétrica são menores. “A estimativa é que a conta de luz, num prédio como este, consiga ser até 30% inferior”, afirma. Com a água, a redução pode chegar a 50%, principalmente se for implantado um esquema de reúso da chuva, projeto previsto para o Alphabusiness. Por enquanto, apenas existem os reservatórios para o descarte gradual da água.
Uma medida implantada e que garante a economia é a instalação de um medidor de consumo em cada uma das 332 unidades do empreendimento. “Quando há a medição individual, há mais consciência de gastos, porque as pessoas sabem que elas deverão arcar individualmente e não, como no formato tradicional, de forma diluída, no preço do condomínio”, considera o diretor da construtora Átria, Jair Soave Junior.
Economia futura compensa gastos para erguer o imóvel
As construções sustentáveis não focalizam apenas os gastos que o empreendimento terá durante o período de obras. Na engenharia, várias pesquisas demonstram que, se somados todos os custos com a estrutura de um prédio durante 50 anos, apenas 15% se referem ao período em que as paredes estavam sendo erguidas. O restante é gasto com manutenção periódica, troca de equipamentos e reformas.
“Como nosso interesse não é simplesmente construir o complexo e vender as unidades, mas também administrá-lo, a construção sustentável é também um bom negócio, pois significa economia”, explica o diretor da incorporadora Alpha, Virgílio Castro. Várias certificações de sustentabilidade, como a Green Building Concil Institute (GBCI), uma das mais importantes do mundo, exigem que o empreendimento seja, além de ecológico, econômica e socialmente viável. Castro acredita que a sustentabilidade deve ser uma tendência crescente nos empreendimentos comerciais.
“Daqui a cinco anos, quem não estiver em um edifício com características que valorizem o reaproveitamento de materiais, a redução de gastos e o uso consciente dos recursos, estará num prédio obsoleto”, afirma.
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