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Casa de brinquedo leva a preservação a sério


Alunos da Educação Infantil do Colégio Ave Maria acompanham passo a passo a construção de imóvel que segue ao pé da letra os três "Rs', reduzir reaproveitar


26/05/2011 - 18h18 . Atualizada em 26/05/2011 - 18h39
Fabiano Ormaneze   Agência Anhangüera de Notícias  
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Alunos dentro do imóvel: piso garante mais higiene e durabilidade
(Foto: )
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A porta que dá para o quintal se abre e as crianças olham ansiosas: querem saber em que situação está a construção que, desde o início deste ano, eles acompanham passo a passo. Querem se certificar se os brinquedos já chegaram, se as paredes foram coloridas ou se o piso está adequado para se jogarem, como convém a quem aproveita a infância.

Uma casa de brinquedos, no Colégio Franciscano Ave Maria, na região central de Campinas, está se transformando no centro de atenções e, além de se tornar um ponto de lazer para os alunos da Educação Infantil, serve de lição de sustentabilidade e preservação do meio ambiente.  Toda a história começou quando se percebeu que a antiga casa, em pé desde 1988, estava comprometida por cupins e precisava ser substituída. A ideia da escola foi, então, erguer um novo prédio e torná-lo uma espécie de símbolo de uma série de ações que a escola desenvolve, há cerca de uma década, para ensinar e praticar a sustentabilidade.

Cada decisão sobre que tipo de material seria usado foi pautada nos chamados três “Rs” da sustentabilidade: reduzir, reaproveitar e reciclar. Para começar, nem tudo da casa antiga estava comprometido e o garoto Igor Caluzi Marcondes, de 6 anos, dá a explicação: “As portas e as janelas não tinham cupim, então, deu para reaproveitar e usar na casa nova”. A importância disso está clara para o colega César Henrique Rodrigues de Campos, de 5 anos. “Assim, não precisa cortar outras árvores”, diz. 

Depois, a escola buscou um a solução para as paredes e chegou ao tijolo de solo cimento, que não vai ao forno e, portanto, gera menos gases nocivos, além de necessitar de quantidades menores de cimento e quase não haver desperdício, pois ele já vem com furos e não é necessário quebrá-lo para passar as tubulações. “Desde o início, as crianças estão acompanhando cada passo e decisão tomada na construção. Com isso, estamos gerando interesse e ensinando a necessidade de buscar novos materiais”, explica a coordenadora da Educação Infantil e do 1º ano, Rosângela Butti Cardoso.

A casa, que está em fase final de construção, também recebeu telhado ecologicamente correto, feito com fibras vegetais impermeabilizadas. A pintura das paredes foi feita com tinta à base de água, menos poluente, e o madeiramento para o telhado veio de florestas certificadas. A etapa final da construção, que começa a ser preparada agora, é o piso, que tem na composição óleo de linhaça, resinas naturais, pó de madeira, cortiça, juta e pedra calcária.

O piso, ainda pouco conhecido, tem como vantagens o desgaste menor com o tempo e o fato de ser mais higiênico, por causa da presença do óleo de linhaça, com poder antibacteriano. “Uma das dificuldades que tivemos foi encontrar locais que comercializassem esses materiais. Ainda não é tão simples encontrar produtos ecológicos”, afirma a coordenadora.

Captação de água
A casa também vai usar água da chuva”, explica Gabriel Oliveira Contin, de 6 anos, se referindo ao fato de que, ao lado da construção, será instalada uma cisterna que vai armazenar água para a limpeza do quintal. Além disso, de acordo com Rosângela, uma torneira será instalada e terá água aquecida por meio de energia solar. “A casa de brinquedo vai se transformar num ponto de estudo, num laboratório para ser usado por todas as faixas etárias”, explica a coordenadora.

Uma horta, com plantio orgânico, também será implantada por lá e composteiras — que transformam lixo orgânico em adubo — estão no projeto da escola em seguida.

Aprendizado começa por professores

Para ensinar, é preciso, antes, aprender e praticar. Esse é um dos motes que fizeram com que professores do Colégio Franciscano Ave Maria também mudassem seus hábitos. “Há cerca de dez anos, reconheço que eu tinha o hábito de escovar os dentes com a torneira aberta e não fazer a separação do lixo. Hoje, é tudo diferente. Mudei muito os meus hábitos, impulsionada pelas atividades que começamos a desenvolver e pelos próprios alunos”, conta a professora Eliete Pezzopane. A ideia da escola é que o caminho percorrido por ela seja repetido na casa dos alunos. “Eles se tornam multiplicadores. Os pais, como eu, não foram necessariamente educados para a preservação porque esse não era um assunto trabalhado pela educação durante a nossa infância e adolescência. Mas, agora, os filhos é que ensinam os pais”, diz.

Estudantes contribuem para reciclagem e no desenvolvimento de mudas 

A construção da casa de brinquedo é apenas um dos trabalhos desenvolvidos pelo Colégio Franciscano Ave Maria para praticar a sustentabilidade. Ao lado dos principais bebedouros, foram instalados displays com os chamados ecopos — feitos de papel de cor parda, no formato de um pequeno envelope. Ele é descartável, mas agride muito menos que o de plástico, que pode ficar, caso não seja reciclado, até cem anos no meio ambiente. O copo é feito com madeira de reflorestamento e é pardo por não passar por processo de branqueamento, o que significaria incorporar à sua composição produtos químicos prejudiciais à saúde. 

Os alunos do Ave Maria também estão acostumados a fazer plantio de árvores. Até dois anos atrás, quando não havia ainda o perigo do carapato-estrela na margem de córregos e rios, os estudantes eram levados a uma fazenda, às margens do Atibaia, para ajudar na recuperação da mata ciliar. Agora, as mudas são produzidas na própria escola e, depois, encaminhadas a quem se interessar. 

O colégio também se tornou um ponto de coleta de óleo de cozinha usado, trazido de casa pelos estudantes, e de lacres de latas de cervejas e refrigerante — a parte mais valiosa desse tipo de recipiente. Cada sala de aula possui uma garrafa PET onde os lacres são depositados. “Para que os menores também pudessem participar, reunimos os pais e pedimos que enviassem os lacres dentro de envelopes ou protegidos em sacos, para que não corrêssemos o risco de eles colocarem na boca. Agora, é prática. Todo dia, alguém traz lacres”, explica a coordenadora Rosângela Butti Cardoso. 

O alumínio recolhido é encaminhado a uma organização não governamental (ONG) da Capital paulista que, com o dinheiro da venda, faz a compra e distribuição de cadeiras de roda. Ao lado da cantina da escola, está instalado um amassador de latinhas, que permite aos próprios alunos iniciarem o processo de destinação correta do lixo.







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