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Recurso torna touchscreen acessível a deficiente visual
Vozmóvel divide a tela sensível ao toque em seis áreas correspondentes às principais funções do aparelho e uma voz digitalizada avisa o usuário sobre cada uma delas

11/01/2012 11:51:00
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O VozMóvel é um aplicativo que utiliza tecnologia de síntese de voz para criar um modelo de interação entre pessoas cegas ou com deficiência visual com celulares de tela sensível ao toque, touchscreen. O recurso foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) de Campinas, em parceria com o Centro de Prevenção à Cegueira de Americana. A tela do smartphone é dividida em seis áreas correspondentes às principais funções do aparelho: realização de chamadas, histórico de ligações, contatos, mensagens de texto (SMS), nível de sinal e de bateria e função data-hora. 

A escolha dessas funções foi baseada em pesquisas com deficientes visuais do Centro de Prevenção à Cegueira de Americana, segundo Claudinei Martins, diretor de tecnologia de serviços do CPqD. “Eles nos ajudaram na concepção das necessidades e, a partir das funções que determinaram como as mais importantes, nós implementamos as aplicações”, afirma. 

Está prevista uma segunda fase do projeto, na qual serão disponibilizados os serviços de internet, como leitura de e-mail, RSS de notícias e previsão do tempo. 

Para acessar uma das funções do aparelho, o usuário do VozMóvel toca ou desliza o dedo sobre a tela e uma voz sintetizada informa a função correspondente àquela área. Com mais um toque, o usuário tem acesso a ela. 

Se essa função envolve uma informação, como o nível da bateria do aparelho ou uma mensagem de texto recebida, ela também é transmitida por meio do recurso de síntese de voz, que utiliza a tecnologia CPqD Texto Fala, software que converte em fala qualquer texto escrito em português do Brasil. 

O desafio do centro de pesquisas foi introduzir o aplicativo CPqD Texto Fala no smartphone e fazer com que ele tivesse a síntese de voz inteligível e de qualidade, já que existem limitações de memória e de processamento nos dispositivos móveis, superadas pelos pesquisadores. 

“A tecnologia do CPqD Texto-Fala atualmente roda em desktops e servidores. Como ela exige bastante capacidade de processamento e memória, fizemos otimizações para que, nos smartphones, tivéssemos a mesma qualidade e desempenho da plataforma desktop”, ocupando menos espaço, explica Martins. 

A versão embarcada para dispositivos móveis gira em torno de 20 megabytes, entre aplicação e banco de dados de fala, tornando possível, no futuro, fazer o download pela internet. A primeira versão do VozMóvel foi desenvolvida para o sistema operacional Android por ser o mais predominante e o que mais cresce e, por enquanto, não estará disponível para iPhones da Apple.

Simples
Outra preocupação no desenvolvimento do aplicativo foi com a simplificação do uso. No modelo de interação, Martins explica que as telas se apresentam sempre da mesma forma. Uma vez que aprendeu como interagir, o usuário terá o domínio completo do aparelho e de suas funções. 

“Se eu entrar no histórico de ligações, por exemplo, vai haver os quadrantes com as chamadas realizadas, chamadas recebidas e chamadas perdidas, como nos outros aparelhos. Eu vou deslizar o dedo na tela do aparelho para encontrar a informação que desejo”, exemplifica.

Segundo Martins, o aplicativo passará por um teste de campo em fevereiro, envolvendo um grupo de pessoas atendidas pelo Centro de Prevenção à Cegueira de Americana. Desde o ano passado, já foram realizadas quatro interações controladas, com o acompanhamento de profissionais. A partir de fevereiro, os aparelhos devem ficar diariamente com os usuários. 

O principal foco do aplicativo são as pessoas cegas ou com grande dificuldade de enxergar, que, de acordo com o Censo 2010 do IBGE, chegam a mais de 6,5 milhões no Brasil. Mas, no futuro, a tecnologia poderá beneficiar também idosos, analfabetos e crianças que ainda não aprenderam a ler. 

“O objetivo do projeto é simplificar a interação das pessoas com os smartphones, que são os telefones móveis mais avançados, além de promover autonomia e reduzir o isolamento.”

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