Um dos centros do ecossistema doméstico da maioria das pessoas, a televisão está ficando cada vez mais sofisticada. Foi protagonista da Consumer Electronics Show, a CES, uma das mais importantes feiras de eletrônicos do mundo, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Uma das atrações foi a TV LCD de 85 polegadas, com resolução 8K, ou 7680 x 4320 pixels. Isso é 16 vezes a resolução da imagem de uma TV Full HD comum (1920 por 1080 pixels).
O protótipo, da emissora estatal japonesa NHK e desenvolvido em parceria com a Sharp, tem sido considerado “a TV do Futuro”, em um sistema chamado de Super Hi-Vision (SHV) ou Ultra-alta Definição (UHD), que deve estrear em 2020, quando está programado o início dos testes em larga escala.
Para os pesquisadores japoneses, é provável que a TV em superalta definição esteja presente no cotidiano das pessoas em um futuro próximo: daqui a dez anos. E no Brasil? Para o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação, do Departamento de Comunicações da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Dalton Soares Arantes, a tecnologia em si não vai parar de avançar. “Os pesquisadores querem mostrar o conceito e não há como brecar as pesquisas. Nesse sentido, a realidade de uma televisão com ultradefinição não é distante. No entanto, ainda há muito chão para ser trilhado”.
O professor pontua que, antes de tudo, o Brasil precisa realizar a completa transição do sistema analógico para o digital. O prazo é até 2016.
“A HDTV não é mais um luxo, mas sim um item do cotidiano. Tem um caráter fascinante, sendo uma opção sem volta, devido à incrível melhora de qualidade”, comentou o conferencista da Escola de Tecnologia Industrial da Universidade de Nihon, Koji Suginuma, em evento no final do ano passado em São Paulo.
Cinema
Para atingir o novo padrão de definição para a próxima década, a mudança deve começar com o surgimento dos televisores 4K (3840 por 2160 pixels), com uma resolução quatro vezes superior à do padrão atual. O 4K, também chamado de Quad HD, está começando a ser usado nos cinemas, principalmente nos Estados Unidos. Ainda são poucas as salas capazes de exibir nesse formato e também não há muitos filmes disponíveis.
No Brasil, as primeiras salas 4K foram abertas em dezembro do ano passado pela rede UCI. Além das animações infantis, o futebol será uma das vitrines do novo padrão. Alguns jogos da Copa de 2014 serão mostrados nesse formato, por meio do projeto 2014K. A iniciativa, organizada pela Universidade Mackenzie e pelo instituto de pesquisas CPqD, prevê transmissão ao vivo, em 3D, das partidas do Brasil e das seleções de países parceiros do projeto.
No entanto, uma das dificuldades desse sistema de transmissão em 4K tridimensional é a quantidade de dados. Segundo informações do CPqD, por serem arquivos pesados (um segundo de filme em 4K 3D tem cerca de 2GB), a transmissão das imagens exige conexões dedicadas de fibra ótica de altíssima velocidade, 10Gbits por segundo. Atualmente, essa largura de banda larga só está disponível nas redes experimentais de instituições acadêmicas e de pesquisa e desenvolvimento.
Equipamento rastreia rosto do usuário e define ângulo
Antes dos televisores 8K, vários fabricantes já estão mostrando painéis 4K. A Toshiba apresentou seu mais novo modelo de televisor, com tela de 55 polegadas e que conta com compatibilidade para TV 3D, mas dispensando o uso de óculos (glasses-free 3D TV). O produto utiliza uma tecnologia que separa até nove ângulos diferentes da imagem, mostrando visões separadas para os dois olhos para que o vídeo 3D possa ser visto de diferentes pontos pelo espectador. Para chegar a esse resultado, a TV faz um rastreamento de rosto do usuário para detectar sua posição e, assim, definir um melhor controle da imagem.
A LG também mostrou algumas inovações para o mercado, como a TV de 84 polegadas com tecnologia 4K e também com capacidade 3D. Outra novidade é o novo Magic Remote. O controle desenvolvido pela empresa tem reconhecimento de voz. Ele também poderá ser conectado a periféricos que aumentam suas capacidades, como um sensor de gesto.
A Samsung apresentou a nova Interação Inteligente (Smart Interaction), que possibilita aos usuários das Smart TVs se comunicar com seus equipamentos por meio de controle de voz, controle de movimento ou reconhecimento facial, oferecendo uma alternativa ao uso do controle remoto.
Uma câmera HD e microfones embutidos, nas principais linhas de Smart TV Samsung em 2012, permitem comandar a TV com a voz e fazer pesquisas ou modificar o volume apenas com o movimento das mãos.