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Usinas fabricam biodisel a partir do sebo bovino


Dentre os benefícios estão o menor geração de danos ambientais e aproveitamento de toda matéria-prima


24/01/2012 - 09h19 . Atualizada em 24/01/2012 - 09h25
Gazeta de Piracicaba   Grupo RAC  
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Sebo bovino também é matéria-prima para a produção de biodisel. Oito usinas já utilizam a gordura animal
(Foto: Roberto Amaral)

Menor geração de danos ambientais e aproveitamento de toda matéria-prima. Esses são os principais benefícios encontrados na fabricação de biodiesel a partir do sebo bovino, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). O responsável pelo estudo, o economista Gabriel Levy, também avaliou os problemas encontrados em todo o sistema agroindustrial do biodiesel. 

'A falta de um mercado organizado traz problemas referentes às oscilações do preço deste produto, bem como sobre a qualidade da matéria-prima, constituindo-se um ponto relevante, visto que um material de má qualidade pode implicar na geração de custos adicionais aos produtores de biodiesel, pela necessidade de tratamento do sebo e purificação dos resíduos pelas usinas. A maior consequência do problema referido é a geração de um combustível de má qualidade', afirmou o pesquisador 

Segundo ele, o fato de o Brasil possuir o segundo maior rebanho bovino do mundo, aliado ao baixo preço da matéria-prima e ao alto aproveitamento desta na produção de biodiesel (até 93%), podem explicar o desenvolvimento dessa indústria no país. Hoje, já existem oito usinas que produzem o combustível alternativo a partir do sebo no Brasil. 

Além disso, Levy disse que a utilização desta fonte de matéria-prima de um lado permite a expansão da produção sem a concorrência com a produção de alimentos, e de outro pode ser uma forma ambientalmente melhor de destinação do resíduo. 'O biocombustível revelou-se um possível destino para o sebo, além dos cosméticos, sabões e ração animal. Assim, poderia resultar na menor geração de danos ambientais, como contaminação de solos e lençóis subterrâneos no despejo do material no ambiente', explicou.

POLÍTICAS
Levy ainda explicou que o sebo é um ativo com especificidades técnicas e físicas, o que atesta tanto a necessidade de criação de normas para a padronização da matéria-prima, como também a extensão do selo social ou a criação de certificação ambiental. Tudo isso para melhorar a coordenação entre os agentes das transações por meio de políticas públicas, o que estimularia a diversidade de matérias-primas, além da possibilidade de abatimento das emissões de gases poluentes pela atividade pecuária. 

'A verticalização representaria um meio de reduzir os riscos associados à baixa qualidade do material, como também diminuir custos vinculados à informação sobre o produto. Neste sentido, a questão relacionada à informação justifica a percepção de que a integração vertical possa ser a configuração mais apropriada, uma vez que internalizaria as transações e reduziria os problemas relativos ao fornecimento. Assim, não apenas traria modificações positivas para ampliação do uso da matéria-prima na produção do biodiesel, como também possibilitaria alterações estruturais nas formas de comercialização do sebo bovino', concluiu.


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