O verbo planejar ganha especial importância na cartilha dos alunos do Colégio Coração de Jesus. Mais uma escola a adotar métodos que ensinam os estudantes a entender a equação entre dinheiro e consumo, o colégio alia aulas que tratam de desenvolvimento sustentável, combate ao consumo descontrolado, responsabilidade social, economia solidária e desenvolvimento de espírito empreendedor. “Todas as disciplinas se envolvem com as temáticas que tratam de responsabilidade social, ética e educação financeira. O projeto é de longo prazo e visa uma formação completa dos alunos”, diz a professora dos 3° e 4° anos, Daniela Mariusso Tortorelli.
Ela comenta que nas classes nas quais dá aula foram discutidos temas como o valor do real e do dólar; planejamento dos gastos para a compra de um produto desejado e poupança mensal. “Em uma das atividades montamos um supermercado com caixa registradora. Os estudantes tinham que fazer as suas compras e ainda sobrar troco. Eles também trabalharam com o conceito de uso de cheque e a movimentação de dinheiro na conta corrente”, conta. A docente diz que as aulas ajudam os estudantes a economizar no lanche, a gastar melhor o dinheiro da mesada e até economizar. “Eles começam a entender como funciona um orçamento pessoal e como são os gastos dentro da casa deles. O objetivo é torná-los cidadãos mais conscientes”.
Aprendizado
O pequeno Gabriel nem imaginava o esforço que os pais faziam diariamente para ganhar o dinheiro que custeava as despesas da família. O valor do dinheiro era uma conta que não fazia parte do seu mundo. Aos poucos, com as aulas de educação financeira, o garoto começou a entender quanto custava o lanche da escola ou o brinquedo da loja. O garoto também passou a perceber se a mesada era suficiente para comprar o que ele queria. “Nós dávamos a mesada para ele e o Gabriel ficava perdido”, relata a mãe do menino, Adriana Ferreira Serafim de Oliveira.
A advogada conta que o ensino do uso consciente do dinheiro na escola é importante para a educação da criança. “Só paguei a primeira mensalidade da escola com 15 anos. Não sabia quanto custava a escola que eu cursava e nem havia aprendido a mexer com dinheiro. Hoje, o mundo mudou muito e as crianças têm acesso a mais informações. O consumo está arraigado na sociedade. É preciso ensinar em casa e na escola que o desperdício e o gasto descontrolado são ruins”, diz. Ela comenta que o aprendizado também dá aos filhos subsídios para eles entendam a dinâmica do orçamento familiar. “Ele consegue compreender agora porque podemos ou não comprar um brinquedo”, exemplifica.
A mãe de Gabriel lembra que uma atividade da escola que marcou o primeiro passo do garoto para compreender como usar o dinheiro da mesada foi ir a um supermercado. “Os professores levaram as crianças a um mercado e eles tinham que comprar lanche. Lógico que a maioria preferiu guloseimas. Essa foi a primeira experiência. Atualmente, ele já consegue usar o dinheiro da mesada para comprar um bom lanche e ainda volta com troco”, comenta. Como o ensino do uso do dinheiro se estende para dentro da casa, a advogada solicitou aos avós que não exagerem nos presentes e nos recursos que são dados a Gabriel.