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Educadora faz celular passar de vilão a aliado


Aparelho é incorporado às aulas e alunos se tornam produtores de vídeos com temática que valoriza o respeito ao próximo


31/10/2011 - 08h11 . Atualizada em 31/10/2011 - 08h18
Portal RAC    
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As estudantes Rayane Lopes Silva e Thamyris Rodrigues Madureira, ganhadoras de concurso de vídeo feito pelo celular organizado pela professora Leda Queiroz de Paula
(Foto: Leandro Ferreira/AAN)
“A escola também tem como um de seus propósitos trabalhar com a memória dos alunos e da região onde eles vivem. Esses vídeos também possibilitaram tocar nesse tema, principalmente porque podemos falar sobre o potencial do vídeo como forma de ar
(Foto: Leandro Ferreira/AAN)

Não há professor que nunca tenha se irritado com o fato de que, no meio da aula, um celular na mão ou na mochila de um aluno tenha começado a tocar impertinente. Mas, o aparelho presente entre estudantes de todas as idades não é, necessariamente, mais um vilão da disciplina na sala de aula, principalmente, se a experiência for parecida com a da professora Leda Queiroz de Paula. A educadora desenvolveu uma atividade para que o telefone não só pudesse continuar com os alunos, mas também passasse a fazer parte da aula. Com essa iniciativa, a professora de história e português na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Francisco Silva, na Vila Castelo Branco, em Campinas, ficou com o primeiro lugar no Prêmio Experiência 10, iniciativa do Grupo RAC

Leda e os colegas enfrentam uma série de problemas e dificuldades de disciplina na escola e a incorporação do celular na rotina de trabalho foi uma das formas encontradas para tentar motivar os estudantes. Assim, em junho, durante um evento organizado pelo colégio, com o nome de Festival da Amizade, cujo objetivo foi trabalhar, essencialmente, a importância dos valores humanos, Leda criou o chamado Festival do Minuto. Durante cerca de uma semana, os professores da escola fazem uma pausa no conteúdo programático para discutir, por meio de atividades lúdicas e oficinas, temas como o respeito ao próximo e a valorização da vida e das relações interpessoais. 

Os alunos, munidos dos seus inseparáveis celulares, tinham como tarefa produzir imagens de cenas que remetessem à ideia de amizade e que, depois, pudessem ser organizadas num minidocumentário, de cerca de um minuto de duração. Ao todo, cerca de 200 alunos, do 6° ao 8° ano, divididos em equipes, participaram da atividade. Uma parceria com a Casa de Cultura Tainã, localizada na região da escola, permitiu que a melhor produção pudesse passar por um processo de edição profissional, a partir da técnica e dos equipamentos da instituição. A Tainã é uma associação que atende a vários bairros da região Noroeste da cidade, com atividades ligadas à arte e à cultura.

Vídeos
Nos vídeos produzidos pelos alunos, apareceram menções a sentimentos como a tolerância, a cooperação e o trabalho em equipe. “O envolvimento foi acima do esperado”, explica Leda. Durante o trabalho de filmagem e de análise do material, foi possível trabalhar também com temas relacionados à coesão e à coerência, mostrando que a montagem de um filme também se dá no formato de uma narrativa e que, portanto, ela precisa obedecer à lógica de um enredo. “A escola também tem como um de seus propósitos trabalhar com a memória dos alunos e da região onde eles vivem. Esses vídeos também possibilitaram tocar nesse tema, principalmente porque podemos falar sobre o potencial do vídeo como forma de armazenar a história de um povo ou de uma pessoa”, relembra a professora. 

As vencedoras do concurso de vídeos e que puderam ver seu trabalho editado foram as colegas do 7° ano Rayane Lopes Silva e Thamyres Rodrigues Madureira. “Para mim, foi muito interessante, pois eu nunca podia imaginar que até o celular poderia ser útil para o nosso aprendizado. Geralmente, a gente só usa para mandar mensagem, fazer joguinho”, conta Rayane. Já Thamyres acredita que o trabalho não deve parar. “Assim, é mais prazeroso aprender. Daria para estudar vários assuntos, usando o celular”, diz. Em breve, num evento que a escola está organizando, o vídeo pronto será exibido para os alunos e a comunidade. 

Pioneirismo
Embora na escola da Vila Castelo Branco essa tenha sido a primeira vez que o celular se transformou em ferramenta pedagógica, Leda já vem construindo uma história nessa área. Ela foi uma das pioneiras em Campinas a incorporar essa tecnologia nas aulas. Até o ano passado, ela lecionava na Escola Estadual Hercy Moraes, na Vila Perseu Leite de Barros, na região Sudoeste da cidade. “Esse trabalho começou, justamente, porque o celular começava a atrapalhar o desenvolvimento na sala”, diz. Assim, Leda, o professor de geografia Paulo Bucci e o coordenador pedagógico Mário Ferreira Saraipa iniciaram o projeto de auxiliar os alunos a retratarem a realidade em que viviam em vídeos de celular. 

Cada um em sua disciplina, trabalhava aspectos do conteúdo: deu, por exemplo, para falar sobre situação urbana e a degradação dos espaços. “O trabalho trouxe um resultado muito positivo, com alunos querendo mudar a imagem da escola. Tivemos uma diminuição das pichações e a comunidade também começou a participar mais, pois queria ver os vídeos”, conta a professora. 

Agora, depois do sucesso da iniciativa, Leda pretende se aprofundar. “Quero continuar desenvolvendo esse trabalho. Com o tempo, vamos discutir com os alunos aspectos ligados à estética da imagem e, principalmente, em relação aos direitos autorais e à ética, já que muitos ainda tendem a fazer cópias de internet, mesmo com a possibilidade de produzir os vídeos”, lembra. (FO/AAN)


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