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Professora faz crescer "bolo da vida"


Atividade extracurricular desenvolvida por docente de educação física em escola da Vila Castelo Branco, em Campinas, funciona como fermento para reforçar nos alunos os valores humanos


27/10/2011 - 07h47 . Atualizada em 27/10/2011 - 07h51
Fabiano Ormaneze   ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Crianças são tranformadas em confeiteiras e na produção do Bolo da Vida, refletem sobre valores humanos
(Foto: Arquivo)
A professora Jaqueline Meira Bisse coloca a mão na massa com estudantes da Emef Padre Francisco Silva
(Foto: Arquivo)

Uma professora de educação física, um projeto extracurricular e o desejo de trabalhar com valores humanos numa escola da periferia de Campinas. A junção desses três elementos não só marcou a realidade dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Francisco Silva, na Vila Castelo Branco, como também concedeu à educadora Jaqueline Meira Bisse o segundo lugar no Prêmio Experiência 10, promovido pelo Departamento de Educação do Grupo RAC

A proposta de associar o projeto extracurricular com a formação para valores humanos teve como resultado a produção de um bolo, que ganhou o nome de Bolo da Vida. As crianças foram transformadas em confeiteiras e, mesmo enquanto adicionavam ingredientes como açúcar ou farinha à receita, refletiam sobre virtudes como a ternura, o respeito, a flexibilidade e a coragem para encarar os desafios da vida. 

Tudo começou com a organização do tradicional Festival da Amizade, que a escola já desenvolve há vários anos. Durante uma semana, no mês de junho, os alunos dão uma pausa no conteúdo para se dedicar a atividades lúdicas, brincadeiras ou oficinas que, antes de terem como objetivo o aprendizado de quaisquer conteúdos, visam à integração dos estudantes e à percepção da importância do companheirismo e do trabalho em equipe. Além das atividades realizadas anualmente, como oficinas de dobraduras e mosaico, ou uma gincana, com provas baseadas em práticas folclóricas, como cabo de guerra, neste ano, Jaqueline decidiu levar para a escola uma atividade da qual ela participara quando era aluna de um curso de pós-graduação. “A diferença era que, até então, eu só tinha trabalhado com o Bolo da Vida com adultos e em grupos menores”, relembra.

Preparativos
Desafio aceito pelo colégio, hora de providenciar os preparativos para o grande dia. Ao todo, 140 alunos do 4° ao 8° ano foram divididos em grupos e cada equipe recebia um crachá com a representação de um sentimento: uns eram dotados de coragem, outros de força, um terceiro grupo de ternura e assim por diante. Jaqueline selecionou uma receita de bolo de frutas e dividiu os ingredientes entre os grupos, associando o sentimento à matéria-prima que comporia a massa. Todo o material utilizado na atividade foi comprado pela própria escola, sem nenhum custo às famílias dos estudantes. 

Assim, no último dia do Festival da Amizade, todas as crianças foram para a quadra e ficaram em torno de cinco grandes mesas, acompanhadas de Jaqueline e outros educadores que toparam ajudá-la na empreitada. Ali, a cada momento da receita, se chamava um dos valores. Era só gritar ternura que o grupo de alunos responsáveis por esse sentimento trazia o açúcar. Mal era necessário dizer que o próximo passo era trazer a força que a farinha de trigo estava na tigela, pronta para ser acrescentada. Ao final, as cinco massas preparadas nas mesas foram misturadas, em sinal de amizade entre todos os grupos e, só depois, repartidas novamente em recipientes para irem ao forno. 

“Essa mistura mostrou aos alunos como o relacionamento humano precisa de muitos valores e, principalmente, de união. Não dá para ser sozinho no mundo nem deixar de ajudar um ao outro”, explica Jaqueline. Além disso, a atividade foi mais uma das propostas da escola para trabalhar dois temas bastante presentes no conteúdo que os alunos estão estudando neste ano: a culinária e a memória.

Confraternização
Depois de assados, os bolos se tornaram o prato principal do lanche da tarde, representando uma confraternização pelos valores humanos. Além da importância de ações conjuntas no relacionamento interpessoal, foi possível discutir, a partir dessa atividade, como todas as pessoas podem prestar auxílio, inclusive, em tarefas de casa. “Muitos alunos nunca tinham acompanhado a produção de um bolo. Isso não só os envolveu, como atividade lúdica, como nos deixou surpresos pela receptividade”, conta a educadora. De acordo com Jaqueline, antes de iniciar o projeto, ela chegou a ter dúvidas se haveria uma adesão grande. Agora, ela tem a certeza de que “fazer bolos para o lanche, ainda que com a ajuda de quase 400 mãos, é a melhor maneira para mostrar que a vida se faz pela união de forças”.

União de esforços cria novos laços

A iniciativa de preparar o Bolo da Vida foi tão marcante que os alunos não se esquecem do dia da atividade. “Eu achei muito legal. Nunca houve algo tão bacana aqui na escola porque, dessa vez, conseguiu reunir todo mundo na quadra, um ajudando o outro. Foi muito legal”, conta Samuel da Silva Vieira, de 11 anos, aluno do 6° ano e que, na receita, contribuiu com a ternura. 

A associação de cada ingrediente a um sentimento ficou tão marcada que muitas crianças hoje, cerca de quatro meses após a atividade, têm dificuldade para relembrar que tipo de componente acrescentaram no bolo, mas não se esquecem do sentimento com o qual contribuíram. Samuel, por exemplo, estava com certa dificuldade para recordar se ternura era o nome dado ao açúcar ou à farinha. Quem o recordou foi a colega Thatielli Aparecidade Rodrigues, também de 11. “Nós éramos do grupo que levou o açúcar. Foi muito legal participar porque eu pude até fazer novas amizades, com o pessoal das outras séries, que eu nem conhecia muito”, relembra. A garota também diz que, desde então, sempre faz questão de ajudar em casa quando alguém vai para a cozinha. (FO/AAN)


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