Veículos elétricos que vêm sendo testados pela CPFL Energia começam a circular abastecidos pela energia do Sol. A empresa instalou painéis solares fotovoltaicos na sede, em Campinas, e deu início a um estudo de viabilidade da aplicação da tecnologia na região. Há um eletroposto na sede e projeto de instalar outro em um shopping. Os painéis estão produzindo 12 mil kWh ao ano, que integrarão a rede de energia da empresa e complementarão a quantidade necessária para abastecer os carros elétricos.
Os testes, explicou o gestor da Gerência de Gestão de Projetos da Diretoria de Estratégia e Inovação, Helder Pires Bufarah, são parte de um sistema que utiliza um software para medir, em tempo real, a energia que está sendo produzida. Com isso, a empresa vai avaliar o potencial do sistema para ter um eletroposto sustentável.
A produção da energia por placas fotovoltaicas ainda é cara. É a mais cara entre as energias limpas, mas a tendência é que o preço caia na medida em que o mercado de carros elétricos decole. Para que isso ocorra, comentou o coordenador do projeto de veículos elétricos, Marcelo Rodrigues Soares, é preciso que o Brasil adote incentivos. “O IPI de um elétrico importado é de 55%; de um Palio é 7,5%, mais impostos de importação”, afirmou.
Três modelos de veículos elétricos estão no projeto. O Th!nk City, veículo de passeio fabricado na Noruega que a CPFL trouxe em 2010 ao Brasil para testes, em parceria de exclusividade. A empresa importou três modelos que têm uma autonomia de 160 km. Há também o utilitário Aris, projetado pela Edra e que foi homologado pelo Denatran há dois anos para circular nas vias públicas. Esse carro também tem autonomia de 160 km. Em parceria com os Correios, um dos veículos foi testado na entrega de Sedex em um bairro de Campinas. Outro modelo é um Palio Weekend, em um projeto em parceria com a Fiat e a Itaipu. Em 2010, o veículo teve instalado o primeiro ar-condicionado elétrico para atender às exigências de nosso clima tropical.
A diferença na nova fase é que a eletricidade de carregamento dos veículos terá origem no Sol. A energia fotovoltaica é fornecida por painéis contendo células fotovoltaicas ou solares que sob a incidência do sol geram energia elétrica. A energia gerada pelos painéis é armazenada em bancos de bateria, para que seja usada em período de baixa radiação e durante a noite. A conversão direta de energia solar em energia elétrica é realizada nas células solares através do efeito fotovoltaico, que consiste na geração de uma diferença de potencial elétrico através da radiação. O efeito fotovoltaico ocorre quando fótons (energia que o sol carrega) incidem sobre átomos (no caso átomos de silício), provocando a emissão de elétrons, gerando corrente elétrica. Esse processo não depende da quantidade de calor, pelo contrário, o rendimento da célula solar cai quando sua temperatura aumenta.
A geração de energia por placas fotovoltaicas ainda é pequena no Brasil, por causa do custo. A CPFL investiu R$ 78 mil na aquisição e instalação de dois conjuntos de painéis com tecnologia de silício policristalino. Na Europa, no entanto, essa energia é muito utilizada, principalmente em função dos acordos ambientais feitos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa: até 2020 a meta é reduzir em 20% as emissões, aumentar a participação de fontes renováveis em 20% e diminuir o consumo em 20%. “A integração da energia solar à matriz energética fará o Brasil se beneficiar e implantar o sistema com preços menores”, disse Bufarah.
SAIBA MAIS
- O investimento da CPFL Energia é parte do esforço nacional de diversificação de sua matriz energética.
- A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em agosto do ano passado, convidou as empresas do setor elétrico a apresentarem projetos de pesquisa e desenvolvimento para a inserção da geração solar fotovoltaica na matriz energética brasileira, visando facilitar e viabilizar economicamente a produção e monitoramento da geração solar, estimular a redução de custos da geração solar fotovoltaica com vistas a promover a sua competição com as demais fontes de energia, além de propor aperfeiçoamentos regulatórios e desonerações tributárias que favoreçam a viabilidade econômica da geração solar.
Projetos buscam uso de subprodutos de plantações
O uso de energia renovável é área de investimento da CPFL para a geração a partir de biomassa. Um desses projetos é a produção de etanol de rejeito de bananeira. Está sendo desenvolvida metodologia e enzimas para o aproveitamento de celulose para a produção de etanol e posterior geração de energia.
Também há pesquisas para transformar bagaço da cana-de-açúcar em energia, no desenvolvimento de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) que funcionam a fio d’água, sem necessidade de grandes áreas de alagamento; e em eólica, que converte a força dos ventos em eletricidade.
A energia fotovoltaica é a nova linha de investimento para a implantação de cogeração nessa área. O Brasil é o segundo país do mundo em ensolação, mas os baixos rendimentos das tecnologias para sua conversão em calor ou eletricidade e os elevados investimentos iniciais constituem obstáculos importantes para seu aproveitamento. O sistema de cogeração fotovoltaica consiste de uma fonte de energia conectada em paralelo com uma fonte local de eletricidade. Este sistema está sendo implantado na Holanda em um complexo residencial de 5 mil casas, sendo de 1 MW a capacidade de geração. Os Estados Unidos, Japão e Alemanha têm indicativos de promover a utilização de energia fotovoltaica em centros urbanos. Na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), há um prédio que utiliza este tipo de fonte de energia elétrica.