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| Patrícia Azevedo | DA AGÊNCIA ANHANGUERA | ||
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A lei n° 14.691, sancionada pelo governo do Estado de São Paulo no início do ano, determina o uso de asfalto-borracha na conservação das estradas estaduais. Entrou em vigor no início do mês, mas muitas estradas já estão sendo pavimentadas com a solução ecológica. A Rodovia dos Bandeirantes, no trecho entre Campinas e São Paulo, sentido Capital, já está pavimentada com a mistura de massa asfáltica com borracha obtida a partir de pneus que não são mais usados. E a concessionária Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, utiliza o material em mais da metade de todo o pavimento das rodovias administradas.
O engenheiro Guilherme Bastos, da AutoBAn (que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes) explica que o asfalto é uma espécie de concreto que usa derivado de petróleo. O asfalto-borracha é um cimento asfáltico de petróleo modificado com a adição de borracha proveniente da moagem de pneu.
A mistura, explica Bastos, aumenta a vida útil do asfalto. “Ele fica mais flexível, prolonga a vida útil da estrutura e é mais durável”, completa. Por causa dessas características, o material proporciona uma aderência maior do veículo, melhora a segurança e reduz o spray, que é a água que o carro da frente lança no para-brisa do veículo que vem atrás.
Vantagens
Bastos conta que para recapear 600 km de faixa com o asfalto-borracha, são retirados 450 mil pneus dos aterros. Além dos benefícios ecológicos, esse tipo de pavimento proporciona mais segurança e conforto ao motorista. Ele tem uma nova textura do pavimento que, em contato com o veículo, gera menos ruído, apresenta maior aderência dos pneus e menor dispersão de água em caso de chuva, além de ser mais durável.
O engenheiro da Ecovias Paulo Rosa conta que a técnica começou a ser utilizada pela empresa em 2002, em caráter de teste. O primeiro trecho a receber o material foi a serra da Anchieta, por onde trafega a maior parte dos veículos de carga que se dirigem ao Porto de Santos. A intenção foi apostar no material mais resistente e que exigisse menos intervenções para manutenção. “Sabemos que, quanto menos interdições precisarmos fazer para manter as rodovias em boas condições, melhor para o usuário”, comenta o engenheiro.
Hoje o material está presente nas pistas da Imigrantes, Cônego Domênico Rangoni e chegará esse ano às rodovias Anchieta, Padre Manoel da Nóbrega. As reformas feitas pela Ecovias evitaram que mais de 360 mil pneus fossem enviados para aterros. “O asfalto-borracha tem maior aderência, o que diminui as possibilidades de derrapagens e reduz o spray causado pelos pneus dos veículos em dias de chuva”, explica o engenheiro da Ecovias.
Preço
Rosa explica que o asfalto borracha é 30% mais caro que o convencional, mas é cerca de 40% mais resistente. O engenheiro da AutoBAn reforça que o investimento maior na compra dessa massa asfáltica ecológica é compensado pelo aumento da durabilidade. “O preço é maior, mas compensa o investimento já que você tem aumento da durabilidade do asfalto e traz uma segurança maior para o usuário. Temos um acréscimo de vida útil de 20%”, afirma Bastos.
Produto tem resistência maior e evita deformidades
A pesquisadora e professora da Universidade Federal de Santa Catarina Liseane Padilha Thives avaliou as propriedades e o desempenho mecânico de misturas com asfalto-borracha. A incorporação da borracha triturada dos pneus no asfalto produz melhorias como aumento na resistência à fadiga e à deformação da mistura asfáltica. Melhora também a capacidade de retardar a propagação de trincas nos revestimentos asfálticos.
A borracha dos pneus é usada nos Estados Unidos há 40 anos, mas os estudos no Brasil começaram a partir da década de 90. O material ainda precisava de avaliações do comportamento mecânico para prever seu uso como camada de revestimento.
A pesquisa de Liseane revelou que a redução de espessura das camadas betuminosas de desgaste e a mistura asfalto-borracha representaram uma economia de até 32% em relação ao material convencional.
O uso da tecnologia não só melhora a qualidade do pavimento, como é uma alternativa para o problema do depósito inadequado dos pneus usados. A composição é produzida com pneu usado triturado por meio de dois processos (à temperatura ambiente e criogênico), formando a borracha granulada que, adicionada ao asfalto, dá origem ao asfalto-borracha.
Usinas móveis reaproveitam asfalto antigo
Além de usar a borracha reciclada de pneus, as concesssionárias construíram as chamadas usinas móveis para reaproveitar o asfalto retirado da pista. A usina móvel da AutoBAn tem capacidade para produzir 200 toneladas de material reciclado por hora. O asfalto velho é triturado e enriquecido com cimento e pó de pedra, para depois ser reaplicado. Com a reciclagem, a CCR AutoBAn reaproveitará o equivalente a 14 mil caminhões de asfalto removido das pistas.
A Ecovias tem uma usina com capacidade para produzir qualquer tipo de asfalto necessário à recuperação das pistas do Sistema Anchieta-Imigrantes, especialmente asfalto borracha e cimento asfáltico, o convencional. A cada 50 segundos, 1.500 kg de asfalto é despejada num caminhão, que imediatamente leva o produto para o local onde será aplicado na pista. A capacidade de produção é de 140 toneladas por hora, o suficiente para asfaltar cerca de 330 metros de uma faixa de rodagem de 5 cm de espessura. Em maio de 2011, a usina atingiu a marca histórica de mais de 749 mil toneladas de material usinado na unidade.
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