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Nasa lista ações antiaquecimento em estudo


Estudo realizado pela agência espacial propõe combate a emissões de gás metano e fuligem no ambiente


20/01/2012 - 08h33 . Atualizada em 20/01/2012 - 08h37
Patrícia Azevedo   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Torre de plataforma de petróleo na Alemanha: controle de vazamento em pontos de extração é uma das metas
(Foto: France Press)
O pesquisador Hilton Silveira Pinto (Unicamp), que defende a menor liberação de mateno nos lixões
(Foto: Cedoc/RAC)

Um estudo produzido pela Nasa e divulgado pela revista Science revela que a adoção de medidas para combater a emissão do gás metano e a poluição por fuligem pode reduzir de forma mais eficiente a temperatura global. Segundo os cálculos da agência espacial norte-americana, tais ações poderiam reduzir o aquecimento global de 2,2ºC para 1,7ºC em 2050. 

O pesquisador Hilton Silveira Pinto, professor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que são três os principais gases do efeito estufa: dióxido de carbono, óxido nitroso e o metano. “O CO2 (gás carbônico) é o menos agressivo, mas é o que mais existe. O metano polui 30 vezes mais que o CO2 e o óxido nitroso polui 300 vezes mais que o dióxido de carbono”, acrescenta. 

Silveira Pinto conta que o dióxido de carbono é o gás que mais aumenta em função das queimadas e da queima de combustível fóssil. “O metano também é gerado de uma maneira bastante comum, nas pastagens. O estômago do gado gera metano, a cultura de arroz irrigável também”, diz. Segundo eles, os gases emitidos pelo gado contribuem para agravar o problema. No caso das culturas inundadas, a fermentação produz o metano. 

Os cientistas sugeriram a adoção de 14 medidas que não só combateriam a mudança climática como evitariam a ocorrência de doenças respiratórias e aumentariam a produtividade agrícola. Entre as propostas para diminuir as emissões de metano estão, por exemplo, a substituição de fornos a carvão e o controle do vazamento em poços de petróleo. Segundo os cálculos dos especialistas, as mudanças proporcionariam um aumento de 30 milhões a 130 milhões de toneladas na produção mundial de alimentos se o ozônio derivado da poluição fosse reduzido por meio do combate ao metano. 

Um dos autores do estudo, Drew Shindell, do Instituto Goddard da Nasa, disse que a maior parte dos países que tendem a se beneficiar com as medidas são também grandes emissores de fuligem e metano. Segundo ele, a política não requer um acordo internacional e o combate se daria por meio de ações locais. “No caso do combate a essas outras substâncias, temos mais chance de progresso se ele for implementado por ações locais”, afirmou o cientista ao jornal Folha de S. Paulo

A Nasa afirma que a fuligem, mesmo não tendo potencial de aquecimento no longo prazo, contribui para a mudança climática quando se acumula sobre a neve e o gelo em regiões frias. Ela atrapalha a capacidade da água congelada de refletir radiação para fora da Terra.
Apesar dos novos dados divulgados, ainda é imperativo chegar a um consenso mundial sobre a redução das emissões de CO2, segundo a Nasa. “Se adiarmos mais o acordo do clima, mesmo acabando com todo o metano e a fuligem, veríamos um enorme aumento no aquecimento, causado só pelo CO2, na segunda metade do século”, afirmou Shindell.

Pesquisador defende miniusinas

O pesquisador do Cepagri Hilton Silveira Pinto conta que as medidas traçadas para a redução da emissão de metano trazem vários ganhos ambientais. O tratamento de dejetos, que liberam metano nos lixões, é uma das principais alternativas, segundo ele, para reduzir a emissão do gás. “Uma solução viável é construir miniusinas para queimar metano nos lixões. Além de minimizar o problema, o lixo é tratado e é gerada energia”, afirma Pinto. No caso das pastagens, a medida recomendada é mudar a alimentação do gado. 

“Temos no Brasil aproximadamente 180 milhões de cabeças de gado. Imagine esse gado todo soltando gases, é necessário mudar a alimentação. O boi que se alimenta de pasto não gera muito metano como o boi estabulado que come ração”, observa o cientista. 

O pesquisador do instituto climático da Unicamp afirma que resolver o problema da cultura de arroz, por exemplo, é complicado porque o arroz irrigado tem uma produtividade de oito a dez vezes maior que no método seco. “Outro gerador de metano são os mangues. Quando as raízes começam a apodrecer acontece a geração de metano”, diz Silveira Pinto. 

Além de reduzir a temperatura climática e a poluição, as medidas, alegam os cientistas, teriam seus custos compensados ao evitar gastos dos governos para resolver problemas provocados pela poluição nas áreas de saúde pública e da agricultura. (PA/AAN)

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