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Descoberta de ossos de dinossauros anima paleontologia


Ossos de dinossauro de menor porte encontrados no Sul trazem à tona novidades sobre os seres


09/12/2011 - 09h01 . Atualizada em 09/12/2011 - 09h10
Inaê Miranda   DA AGENCIA ANHANGUERA  
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Pampadromaeus impressiona pelo seu tamanho diminuto em comparaçao com outros dinossauros: tendência dos gêneros mais basais
(Foto: Divulgação)

Desde que foram descobertos os primeiros fósseis de dinossauros, no início do século 19, eles aguçam a curiosidade de cientistas. E a descoberta do minúsculo Pampadromaeus Barbarenai — encontrado em rochas sedimentares no município de Agudo, no Rio Grande do Sul, que datam de 228 milhões de anos — pode desvendar muito dos mistérios ainda existentes sobre esses seres que dominaram a Terra por milhares de anos. 

Os ossos do Pampadromaeus foram encontrados em 2004. Durante dois anos, eles permaneceram dentro de um bloco de arenito de aproximadamente 220 quilos. Desde então começaram a ser estudados por um grupo de pesquisadores e, há duas semanas, o “novo” dinossauro teve suas características apresentadas aos brasileiros e divulgadas na revista científica de paleontologia Naturwissenchaften, da Alemanha. 

O dinossauro tinha apenas 50 centímetros de altura e 120 centímetros de comprimento, e teria um peso aproximado de 15 quilos, segundo os pesquisadores. “O que chama atenção nesse dinossauro é o fato de ele ser pequeno, o que é uma tendência dos gêneros mais basais, aqueles que dão origem a outras espécies. Esse fato torna a descoberta ainda mais importante para a paleontologia”, afirma o coordenador da equipe de pesquisadores do Pampadromaeus, Sérgio Furtado Cabreira, da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra Canoas). 

Esse dinossauro representa um dos mais antigos membros da linhagem dos sauropodomorfos — um grupo de dinossauros de pescoço longo caracterizado pelo hábito tipicamente herbívoro e pelo grande tamanho de alguns de seus membros. Mas, ao contrário destes, ele tinha pouco mais de 1,2 metro de comprimento e se alimentaria de pequenos animais e insetos e algum vegetal (hábito denominado onívoro). 

“Ele apresenta caracteres voltados à carnivoria. Os ossos do crânio não são fusionados entre si e apresentam mobilidade, o que só acontece com animais carnívoros e que se alimentam de presas vivas.” Estes ossos do crânio ficariam articulados entre si apenas através de ligações móveis — fixados através de ligamentos e cartilagens, por exemplo. Outro elemento que caracteriza o dinossauro como carnívoro são os dentes. Ao contrário dos dinossauros herbívoros, que têm os dentes em fileiras cerradas, no final do osso maxilar do Pampadromaeus os dentes eram pequenos e bastante espaçados, característicos entre os predadores. 

Entre as outras detalhes do dinossauro, descobertas pelo grupo de pesquisadores, estão os ossos finos e delicados, braços pequenos, corpo esguio e pernas longas, o que indica ainda que ele era um corredor. “Até hoje, foram encontrados cerca de 12 dinossauros basais desse período. Todos eles são relativamente pequenos. Os maiores seriam derivados dessas espécies”, disse.

SAIBA MAIS

O “novo” dinossauro recebeu o nome de Pampadromaeus Barbarenai, porque foi descoberto no pampa, vegetação de gramíneas típica do Sul do Brasil, Uruguai e Nordeste da Argentina, e dromaeus, que em latim significa corredor. O nome “corredor dos pampas” seria uma alusão ao animal veloz. Já Barberenai, dizem os pesquisadores, é uma homenagem a Mario Costa Barberena, um paleontólogo do Rio Grande do Sul já aposentado.

Análise dos ossos desvenda peculiaridades

Os ossos do dinossauro encontrado pelos pesquisadores eram de um mesmo animal. Mas para que fosse feita a sua reconstrução, eles receberam um tratamento especial. As análises prévias incluíram radiografias, tomografias computadorizadas de várias estruturas ósseas e vértebras. Entre as estruturas mais relevantes encontradas pelos pesquisadores está a presença de cavidades derivadas de pneumatização das vértebras e dos ossos como o fêmur e a tíbia. 

Quando presentes em um esqueleto, essas cavidades podem servir como indicadores de um metabolismo mais ativo. Isso porque os ossos pneumatizados são mais leves e permitem acelerações e frenagens mais rápidas. A presença dessas cavidades aéreas nos ossos do Pampadromaeus seria uma evidência de que este pequeno dinossauro seria muito ágil mesmo em condições climáticas mais frias e durante a noite.
 
Não foram encontradas penas no animal, mas os estudos apontam que o seu corpo era coberto por elas. Assim, a reconstrução de Pampadromaeus recebeu uma cobertura de penas primitivas e também uma coloração. “Os custos biológicos do metabolismo endotérmico, associados ao pequeno volume corporal, implicam que ele deveria ter uma proteção externa para impedir a perda de energia através da perda de calor”, diz Cabreira. A réplica de Pampadromaeus foi feita pelo paleo-escultor Ronaldo Gemerasca.

ORIGEM DOS DINOSSAUROS

Os estudiosos acreditam que descoberta do Pampadromaeus Barbarenai pode contribuir com novas informações sobre a origem dos dinossauros. Além de tudo, ela reforça a evidência de que essa evolução da era jurássica começou bem aqui, no hemisfério Sul. 

“Por ser um exemplar tão basal e antigo, explica um pouco da origem e evolução dos dinossauros como um todo. E significa mais uma evidência de que a origem dos dinossauros se deu no continente sul-americano. É um novo fóssil que veio confirmar essa hipótese”, afirma o professor Max Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores da Ulbra têm ainda outros três esqueletos de dinossauros para serem estudados. “Essa última descoberta é muito valiosa porque traz uma quantidade muito grande de informações, já que o fóssil estava conservado e bastante completo, mas serão necessárias mais pesquisas e descobertas para conseguirmos desvendar de fato como foi a origem e a evolução desses seres, algo que ainda está muito pouco resolvido”, completa.







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