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Brasil se destaca ao reduzir poluentes


Diminuição de queimadas na Amazônia e tecnologias limpas na agricultura se tornam exemplo


02/12/2011 - 07h56 . Atualizada em 02/12/2011 - 08h01
Patrícia Azevedo   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Amazônia, que registra diminuição no índice de queimadas; região é uma das maiores esperanças para a redução de emissores
(Foto: Reprodução)

O Brasil é exemplo de sucesso na redução das emissões de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. A diminuição das queimadas na Amazônia, responsáveis por 80% dessas emissões, e a adoção de novas tecnologias na agricultura, colocam o País em posição de destaque no cenário internacional. O pesquisador Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, conta que “o Brasil é um dos pouquíssimos países do mundo que estão cumprindo a proposta de redução (de emissão de gases do efeito estufa). Hoje o País é 5° maior poluidor, atrás da Rússia, EUA, China e Índia. Se conseguir manter esse ritmo, em breve será o 20° maior poluidor”. 

Silveira conta que a agricultura responde por 15% dessa poluição e ressalta que é possível reduzir emissões com uso de novas tecnologias. Uma delas é o chamado plantio direto na palha. “Temos quase 30 milhões de hectares em desenvolvimento, com isso o solo consegue absorver 500 kg de CO2 por ano. Outra tecnologia é integração pecuária-lavoura. Ao invés de deixar pastagens largadas, é feito rodízio com culturas. Com isso, é possível aumentar a absorção de carbono em até 2,5 toneladas por hectare”, explica Silveira.
Outra tecnologia que vem reduzindo a poluição é o uso de bactérias na raiz das plantas para substituir os adubos. “Isso já é usado na cultura da soja”, conta. A recuperação de pastagens é outro método eficaz. “Há 180 milhões de hectares com gado no Brasil e perto de 100 milhões são pastagens degradadas. Se você recuperar e plantar, o aumento de massa verde retira gás carbônico da atmosfera”, conclui. 

O Brasil é um dos participantes da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, a Cop 17, em Durban, África do Sul. Durante o evento, o grupo de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão formado por um colegiado de mais de 500 especialistas e criado pelas Nações Unidas, fez um amplo relatório sobre as mudanças climáticas e os seus impactos.
De acordo com o órgão, as evidências de ocorrência de aquecimento global são inequívocas e há mais de 90% de probabilidade de que os humanos sejam os grandes responsáveis. A principal causa é a emissão de gases causadores de efeito estufa a partir da queima de combustíveis fósseis, que prendem o calor do sol na atmosfera, aquecendo a superfície terrestre. 

O IPCC concluiu que os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram cerca de um terço desde a época pré-industrial e agora atingem seu pico. Nos últimos 20 anos houve um aumento de 29% na força radioativa, ou seja, o efeito de aquecimento climático. E o gás carbônico permanecerá na atmosfera por décadas, intensificando o aquecimento, mesmo se todas as emissões forem detidas.
Uma das principais consequências da elevação das temperaturas são eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e temporais. Esses eventos devem ficar cada vez mais frequentes ou intensos. 

Só há um caminho a seguir na tentativa de reduzir os impactos desse aquecimento. É preciso reduzir as emissões de CO2. Cientistas do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica, vinculado ao Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, calculam que as emissões precisam cair 8,5% até 2020. 

Unicamp faz projeção de impactos

Cientistas da Unicamp e da Embrapa avaliaram o impacto das mudanças climáticas no Brasil e publicaram o estudo “Impactos da mudança do clima na produção agrícola”. Segundo a pesquisa, divulgada em 2010, as perdas nas safras de grãos poderão chegar a R$ 7,5 bilhões em 2020, dobrando para R$ 14 bilhões em 2070. A produção de soja pode sofrer uma queda de até 34% até 2050. Outra cultura que sofrerá uma perda é a do café arábica, que deve ter uma redução de 17% na produção. A lista inclui o algodão e o girassol, ambos com 16% de redução, e o milho, com 15% de queda. 

Outra consequência do aquecimento será a redução das disponibilidades hídricas superficiais para quase todas as regiões. A situação deve ser pior no Nordeste do Brasil, com uma diminuição brusca das vazões até 2100. 

A redução das chuvas afetará também os rios e terá impacto na geração de energia com redução brusca de vazões de até 90% entre 2070 e 2100. O rio São Francisco perderá até 40% da sua vazão e a consequência é uma queda de 7,7% na produção de energia das usinas hidrelétricas da Bacia do Rio São Francisco. Fontes de energia renovável, como a eólica, também serão alteradas. A pesquisa aponta uma redução de 60%. O impacto mais relevante no setor é a perda de confiabilidade no sistema de geração de energia elétrica a partir de fontes hidráulicas, com redução de 29,3% a 29,3% da energia firme. 

A equipe de cientistas verificou que, se o desmatamento persistir com o ritmo atual, será responsável pela extinção de 21% a 29% das espécies da Amazônia. Quando os impactos da mudança do clima e do desmatamento são analisados em conjunto, prevê-se a extinção de 30% a 38% das espécies da região mais biodiversa do planeta. 

Os impactos mais graves são esperados nas regiões rurais do Centro-Oeste e do Leste da Amazônia, onde o nível de pobreza e dependência dos serviços ambientais é mais elevado. (PA/AAN)

Nível do mar e temperatura do solo aumentam em um século 

Como consequência dessas mudanças, os cientistas verificaram que desde 1900 o nível do mar aumentou entre 10 e 20 centímetros e a temperatura média global da superfície aumentou 0,8º Celsius. As temperaturas médias em terra aumentaram muito mais rápido: 0,91º C desde meados do século 20, segundo o Berkeley Earth Surface Temperature Project. 

Outro sinal do impacto do aquecimento é visível na elevação do nível do mar, no recuo das geleiras alpinas e na cobertura de neve. Outros efeitos são a redução do gelo marinho no verão ártico, o derretimento do solo permanentemente congelado e a imigração para os polos de muitos animais em busca de habitats mais frios. 

Em 2007, o IPCC projetou uma elevação do nível do mar em pelo menos 18 centímetros até 2100. Diante da evolução do problema, cientistas refizeram suas previsões e acreditam que o derretimento na cobertura de gelo da Groenlândia e da Antártida ocidental poderá provocar uma elevação de até um metro. Essas mudanças trarão sérios problemas para a humanidade. Na África, por volta de 2020, entre 75 milhões e 250 milhões de pessoas sofrerão problemas com falta de água e o produto da agricultura irrigada por chuvas em alguns países da África poderá ser reduzido em até 50%. Em contrapartida, áreas similares a desertos podem se expandir entre 5% e 8% até 2080. PA/AAN)







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