A capacidade de correr guiado pelas sensações é uma questão de aprendizado. Desde o primeiro treino, o esportista percebe as reações do corpo ao estímulo, contudo, o 'pulo do gato' está em interpretar esses sinais e utilizar as informações para melhorar o rendimento e evitar desgastes desnecessários. É bastante comum os corredores alterarem a planilha de treino por conta própria.
Empolgados com o rendimento, pulam dias de descanso ou até mesmo não percebem que estão em dia ruim, como com uma gripe, por exemplo, e quererem realizar a rotina sem nenhuma alteração. Exigir demais ou erroneamente do organismo podem gerar lesões.
Adaptação leva tempo. Ajustar o senso de ritmo demora cerca de seis meses, por exemplo. 'A questão é interpretar os sinais. O tempo é relativo. Algumas pessoas podem nunca aprender, mas só existe um caminho: a prática regular', garante o personal trainer Wagner Schwerdtfeger. Ter muita quilometragem acumulada e só confiar no GPS não basta para saber ouvir os sinais do corpo. Prestar atenção em como o seu ritmo se relaciona com a sensação de esforço é uma boa estratégia para executar a corrida de acordo com a sua aptidão, meta e sem ser dependente dos acessórios tecnológicos.
Em algum momento tranquilo de treino, cronometre quanto tempo você leva para correr 1km. Não acelere e nem reduza a velocidade, apenas observe como o seu corpo se comporta: respiração, cansaço, fadiga das pernas, etc. Repita estes testes pelo menos duas vezes por semana e vá alterando as situações, faça o mesmo teste no início e fim de treino, por exemplo, para perceber a reação com maior ou menor grau de cansaço. Anote o tempo e o nível de esforço (uma escala de 1 a 10 pode ajudar a mensurar) e faça comentários, assim será possível ver claramente como o corpo responde ao estímulo e a leitura que o corredor faz dos sinais.
Deixar os acessórios tecnológicos de lado também ajuda o corredor a conhecer sua performance e ritmo mais facilmente. No início, tente adivinhar o tempo executado em determinada distância e depois confira com o cronômetro. Nas primeiras tentativas haverá oscilações, mas com o tempo o relógio passará a ficar mais tempo em casa. Pesquisas apontam que 30% dos praticantes correm pelo menos duas vezes por semana sem relógio.
'Antes de investir em um frequencímetro ou GPS, é indispensável que se compreenda qual a percepção de esforço esperada para cada zona de treino (leve, moderado, forte). A orientação é utilizar esses equipamentos de forma complementar, já que se basear apenas em números exatos pode apresentar limitações', explicou Wagner.