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16/02/2012 21:39:36
É CARNAVAL!  Compartilhar

Malandragem e malacacheta

Muito sensata a decisão da Prefeitura em descentralizar o carnaval de rua de Campinas e iniciar um estudo para profissionalizar as nossas escolas de samba. Já não era sem tempo. Mas espero que o carnaval de rua continue descentralizado e assim resgate a história carnavalesca da nossa cidade.
Dizer que alguns dirigentes de escolas de samba são malandros é um elogio que não merecem. Nem são dirigentes e sequer malandros. São incompetentes e aproveitadores da boa-fé de foliões e do dinheiro público. São vigaristas da alegria, isso sim.
No Rio de Janeiro, apenas para ficar em um pedaço brasileiro do carnaval, a Banda de Ipanema, o Cordão do Bola Preta, o Simpatia é Quase Amor, e aqui cito os mais conhecidos, levaram mais de 2 milhões de foliões para as ruas de seus bairros – e eles estavam apenas “esquentando a bateria” – na semana passada, e a estimativa é que cada um desses blocos levará na saída oficial mais de 2 milhões de foliões às ruas. Tudo de graça. Mas é bom dizer que a “diretoria” desses blocos trabalha o ano inteiro para arrecadar dinheiro para pagar os músicos que animam o pessoal. E cordão de isolamento na Sapucaí e Anhembi é para turistas e outros amadores da folia, farofeiros de arquibancada.
Vivi meu carnaval de rua e bem sei que muita gente das gerações quarenta e cinqüenta sabe do que estou falando. Nossas escolas saiam pelas ruas dos bairros e preferencialmente passavam em frente dos estabelecimentos comerciais que contribuíam com algum dinheiro, assinando o lendário “Livro de Ouro”. Claro que a malandragem pegava um tanto da grana para tocar a vida na flauta, mas jamais deixava faltar couro no bumbo e fantasia para as passistas; e cachaça para os batuqueiros era de lei. E couro era couro mesmo. E toda escola tinha meninos que acendiam pequenas fogueiras de gravetos e jornais para aquecer, esticar e assim afinar pandeiros, malacachetas, surdos, cuícas, contra-surdos e repeniques. Para quem não sabe, naquele tempo tamborins não existiam. Só malacachetas, um instrumento quadrado, pai do tamborim, que desapareceu como os bons carnavais de rua do país. Assim, espero que o carnaval de Campinas ressurja. Mesmo sem malacacheta.
Bom dia.
 

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enviada por ZEZA AMARAL

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