Bar tradicional situado na Estação Cultura consta na lista publicada no Diário Oficial da União
O governo federal vai vender 44 imóveis em Campinas, que pertenceram à extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), e fazer caixa para o pagamento de participações dos acionistas minoritários da rede ferroviária, despesas decorrentes de condenações judiciais, de regularização e administração. A venda gerará recursos destinados ao Fundo de Contingente, operado pela Caixa Econômica Federal. A maior parte dos imóveis está ocupada irregularmente e são poucos os que pagam concessão pelo uso das áreas.
Comércio ocupa locais de forma irregular e não paga concessão
Os 44 imóveis são parte de um lote de mais de 500 terrenos e edificações em todo o País que o governo quer vender para arrecadar R$ 703,2 milhões, valor estimado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), atual proprietária dos bens. Um dos imóveis listados ontem em publicação no Diário Oficial da União é o bar dentro da Estação Cultura e que há mais de 60 anos é administrado pela família dos atuais concessionários Marcos e Emílio Rogel. O bar é parte da história da estação e exerceu papel significativo, junto com a barbearia, no período de decadência da ferrovia, quando os trens de passageiros deixaram de circular e a estação ferroviária ficou abandonada. Os irmãos Emílio e Marcos Rogel foram os guardiões da estação, impedindo que ela fosse atacada por vândalos.
Marcos gostaria de comprar o bar. Hoje ele tem a concessão, por tempo indeterminado, daquele espaço, mas acha difícil essa venda se concretizar. “Como você passa a escritura de um imóvel que está dentro de outro? É a mesma coisa que você comprar apenas um quarto de um apartamento”, analisa. O bar foi oferecido algumas vezes pela rede ferroviária e pela SPU, mas ele tem dúvida sobre a legalização da venda, no entanto, se houver leilão, ele dará um lance. A maioria dos imóveis que serão colocados à venda é formada por terrenos, que somam 332,8 mil metros quadrados. Muitos estão ocupados, como uma área de 1,5 mil metros quadrados na Avenida Barão de Itapura, que é utilizada por uma loja de móveis rústicos.
A proprietária Adriana Bezerra disse que tem interesse em adquirir o terreno desde que comprou o ponto, há dez anos, para poder regularizar a situação. Antes dela, o local era uma loja de móveis e antes, uma loja de autopeças. Esses comércios tomaram posse do terreno, sem fazer qualquer pagamento à União. É parte do lote que será leiloado em data ainda a ser definida, dois terrenos na Rua Artur Canguçu, que junto somam 2,2 mil metros quadrados. A área está ocupada por barracões. O Correio não conseguiu contato com o dono da loja de locação de geradores instalada no área da antiga RFFSA. O governo incluiu na lista uma edificação dentro do patio ferroviário central, parte dos bens não operacionais da América Latina Logística (ALL), que no passado foi utilizado por uma barbearia.
Hoje não há vestígio do prédio, no meio do abandono dos imóveis ferroviários na Vila Industrial. Também a sede do lube ferroviário, que ficava em área que hoje está sendo ocupada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), será vendida.
Uma área de 56,4 mil metros quadrados, entre as ruas Ary Barroso e Mário Natividade, o Taquaral, também será colocada à venda. Essa área é parte do antigo leito da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e integra uma negociação que há muito tempo vem ocorrendo entre Prefeitura e União. A Prefeitura planeja utilizar essa área e todo o trecho do leito ferroviário até próximo ao Galleria Shopping como corredor de ônibus. Um projeto de inclusão desse trecho foi incluído do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Grandes Cidades, mas acabou sendo retirado em função dos cortes que o governo fez nas demandas de Campinas.
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