Crise política faz setor, que crescia 30% ao ano, parar; desde maio, empreendimentos zeraram
O número de lançamentos imobiliários, que vinha crescendo 30% ao ano desde 2008, teve uma queda vertiginosa em 2011, por conta da crise política que atingiu a Prefeitura de Campinas e freou as aprovações de empreendimentos.
Em 2010, foram lançados 51 empreendimentos, enquanto este ano foram apenas três até agora—uma redução de 94%. Desde maio, quando teve início a crise com as denúncias de existência de uma suposta rede de corrupção e lavagem de dinheiro, que resultou na implosão do núcleo de poder do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT), não ocorreram novos lançamentos e o setor imobiliário teme que 2011 seja o pior ano de vendas, por falta de produto no mercado.
Prefeitura nega haver represamento na aprovação de projetos
O número de lançamentos foi apurado pela Inteligência de Mercado Lopes e aponta que, em 2008, ocorreram 30 lançamentos, em 2009 mais 41, no ano passado, 51, e, em 2011, apenas três empreendimentos de porte. A Prefeitura, que reconhece a existência de gargalos na aprovação de projetos, nega, no entanto, que esteja represando as aprovações. Relatório divulgado ontem pela Secretaria de Urbanismoaponta que de janeiro a 14 de setembro emitiu 56 licenças de execução de obras de empreendimentos acima de mil metros quadrados (23 delas, acima de 5 mil metros quadrados). Esse documento permite aos empreendedores registrarem em cartório as incorporações e iniciar vendas. Segundo o secretário de Urbanismo, Luiz Yabiku, foram aprovados, ao todo, 47,1 mil metros quadrados, com 3.268 unidades, entre habitacionais e comerciais. Além disso, de 7.197 pedidos de alvarás de uso, foram deferidas 1.797 licenças, indeferidAs 153 e o restante está em análise, segundo o diretor do Departamento de Controle Urbano, Guilherme Tadini. A paralisia criticada pelo setor da construção civil está trazendo prejuízos. Segundo o levantamento, Campinas contabiliza apenas R$ 80 milhões em lançamentos em 2011, contra R$ 1,9 bilhão no ano passado. Se comparado a Curitiba, mesmo sendo uma cidade com uma população superior a de Campinas (são 1,7 milhão de habitantes ante 1,1 milhão), é possível ter uma noção do tamanho do impacto da crise. Na capital paranaense foram lançados, até abril, 24 empreendimentos com 3.216 unidades e com um valor geral de vendas (VGV) de R$ 910 milhões. Em Campinas foram apenas três, com 104 unidades. O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Márcio Benvenutti, afirmou que 2011 está sendo o pior ano para a aprovação de empreendimentos, não apenas pela crise política, mas também pelas exigências ambientais que começaram a vigir em Campinas. A necessidade de licença prévia tem atrasado as liberações — entre o pedido de alvará até a liberação da licença de execução, a demora tem sido de um ano, afirmou. Os cartórios, que segundo ele passaram a exigir o alvará de execução no registro da incorporação, também ajudaram a formar uma cadeia de atrasos. O diretor do segmento dedesenvolvimento urbano do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi), Fuad Jorge Cury, disse que, enquantoo setor imobiliário está em alta no País, em Campinas ocorre o contrário. O maior problema que ele vê é a insegurança jurídica instalada. Cada secretaria, afirmou, interpreta a legislação de uma maneira. “O Grupo de Análise e Aprovação de Projetos de Campinas (Graprocamp), que a Prefeitura quer implantar, não vai resolver. Será mais um entrave para a interpretação coletiva.”
|