Trajetória de Kurt Cobain ganha contornos humanos com documentário
Foram encontradas caixas e mais caixas contendo gravações de voz, diários e um pequeno acervo particular de Kurt
15/06/2015 - 09h22 | - Atualizado em 15/06/2015 - 09h27 Agência Estado
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Trajetória de Kurt Cobain ganha contornos humanos com documentário
O documentário Cobain: Montage of Heck é o primeiro  documentário sobre Kurt Cobain autorizado pela família. E, por isso mesmo, vai fundo na história do músico antes mesmo que ele se descobrisse como um.
O uso e abuso de drogas como heroína são contrastados com cenas carregadas de emoção, principalmente após o nascimento de Frances, registradas de forma amadora por Courtney.
Frances Bean Cobain não tinha completado dois anos de idade quando perdeu o pai, naquele 5 de abril de 1994. O mundo perdia a sua última grande estrela do rock, mas a música de Kurt Cobain com o Nirvana, ainda pode ser ouvida, mais de duas décadas depois da sua morte.
Frances, contudo, nunca teve a oportunidade de ganhar mais do que aqueles três discos lançados pelo pai e de histórias, vícios e fantasmas relatados por quem conviveu com ele de perto. Era hora de um recomeço. Um novo encontro com a figura humana por trás do mito criado sob a imagem do roqueiro de cabelos loiros na altura dos ombros, olhos azuis, camisa de flanela xadrez e uma guitarra tocada com desleixo, na altura dos joelhos.
 
O filme estreou durante o festival de cinema de Sundance, em janeiro deste ano, e foi exibido no festival de Berlim, duas semanas depois.
Chegou a poucas salas de cinema do circuito dos Estados Unidos e Reino Unido, até chegar às telinhas do canal por assinatura HBO, em maio, novamente nos EUA. No Brasil, o filme chegará enfim a algumas salas do País em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Salvador, a partir do dia 18 (conferir locais e datas no site cobainmovie.com e nos sites dos exibidores Cinemark e UCI).
Não se busca justificar qualquer lado da complexa personalidade de Kurt, mas, de forma quase professoral, recria o homem que formou o mito. Aquele sujeito que arrebanhou uma legião de jovens em torno do tipo de música depois classificado como grunge era uma criança hiperativa, embora "muito doce", como conta a mãe, em certo momento. Logo nos primeiros anos de vida, Kurt foi obrigado pelos pais a tomar Ritalina, um medicamento adotado para o tratamento de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade - e também usada como droga, atualmente.

A adolescência de Kurt foi ainda mais problemática, com a separação dos pais e um buraco negro que nascia em seu peito. Ele se queixava de dores crônicas no estômago, fumava maconha quando podia, perdeu a luta contra a heroína.

O grande achado de Montage of Heck foi o descobrimento de caixas e mais caxias contendo gravações de voz, diários e um pequeno acervo particular de Kurt. De objetos mais fúteis, como uma lancheira da série infantil H.R. Pufnstuf a um boneco do personagem Freddy Kruger, a horas de devaneios musicais no gravador. É Kurt Cobain de verdade, não em um depoimento.

Kurt conta naquelas gravações que tentou o suicídio ainda na adolescência. Deitou-se sobre o trilho de trem e esperou. No episódio, só não perdeu a vida porque o veículo trocou de trilho. Acompanhamos as tediosas tardes durante o ensino médio, entre um baseado e outro debaixo da ponte da cidade de Aberdeen, em Seattle. É um período antes da música entrar efetivamente na vida dele. Depois disso, as caminhadas sem rumo são trocadas por horas a fio em desenhos, gravações de trechos ao violão. O Nirvana, no filme, não é prioridade. É Kurt Cobain fora de lá o que interessa. O homem por trás do mito - o pai de Frances Bean Cobain.