TEATRO
Zé Celso e atores do Teatro Oficina podem ser presos
Zé Celso considera absurda a acusação e a classificou como "um crime contra a arte do teatro".
08/06/2015 - 12h23 | - Atualizado em 08/06/2015 - 12h41 Portal RAC
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Zé Celso e atores do Teatro Oficina podem ser presos
O diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, e os atores Tony Reis e Mariano Mattos Martins, do Teatro Oficina, podem ter prisão decretada na tarde desta segunda (8) por terem encenado uma peça de teatro. As informações são do jornalista e blogueiro Miguel Arcanjo Prado.

O motivo da ação judicial é a apresentação da peça Acordes, feita na PUC-SP em 2012 pelos artistas do Oficina durante a greve de funcionários e professores. A obra é baseada em texto do dramaturgo alemão Bertold Brecht e foi adequada para que fosse apresentada na universidade. 

A peça foi considerada ofensiva por um padre de Goiás, que a assistiu pelo YouTube e depois entrou na Justiça contra os artistas.
Veja um trecho da performance de Zé Celso e os atores do Oficina. 


Os três atores foram intimados pela Justiça Pública a estar às 16h desta segunda (8) no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Esta é a segunda vez que precisam comparecer a uma audiência no local.

Os artistas do Oficina são defendidos pelos advogados Fernando Castelo Branco e Fernanda de Almeida Carneiro.

A primeira audiência foi em 5 de novembro de 2014, quando os atores se recusaram a assinar um documento de reconhecimento de culpa. 

Zé Celso considerou absurda a acusação, que classificou como “um crime contra a arte do teatro”.
O caso completo

Durante greve de funcionários e professores na PUC São Paulo no ano de 2012 ocorreram algumas manifestações, assim como a sessão especial de Acordes.

Todos que fizeram parte da greve se manifestavam contra a imposição do nome da professora Anna Maria Marques Cintra como reitora da instituição, já que esta havia ficado em terceiro lugar na votação com a comunidade acadêmica.

Por isso, o Oficina foi convidado para apresentar a peça que falava sobre autoritarismo e o papel popular para provocar mudanças.

Para adequar a peça ao contexto da Pontifícia Universidade Católica, Zé Celso colocou a imagem de um religioso para representar a figura do autoritarismo, na forma de um boneco parecido com o Papa Bento 16.

Na metáfora proposta pela peça, o boneco é decapitado, como forma de simbolismo da ruptura com o autoritarismo. Segundo o Oficina, a própria Reitoria autorizou a entrada do grupo na PUC.

O vídeo com a encenação foi parar no YouTube, onde o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Goiás, o assistiu e resolveu então entrar na Justiça contra o Oficina e ainda abriu um inquérito policial.

O padre utilizou o artigo 208 do Código Penal, que criminaliza o escarnecimento de alguém publicamente por motivo de crença ou culto religioso e prevê até um ano de cadeia.

Zé Celso, Mariano e Tony explicaram que tratava-se de uma obra de arte teatral feita em um cenário de liberdade de expressão artística, garantida pela Constituição.