NOVELA
Walcyr Carrasco aborda prostituição de luxo em 'Verdades Secretas'
Primeira novela da Rede Globo a começar às 23h
18/05/2015 - 12h40 | - Atualizado em 18/05/2015 - 12h41 Agência Estado
faleconoscorac@rac.com.br
Walcyr Carrasco
Não que o universo da moda seja pautado pela prostituição de luxo, mas que a questão existe e passa longe da ficção, isso existe, como ressalta Rodrigo Lombardi.
Seu personagem é um dos eixos centrais de Verdades Secretas, próxima novela das onze da Globo, assinada por Walcyr Carrasco e que toca nessa ferida. Com estreia agendada para 6 de junho, a trama terá 64 capítulos. E será a primeira novela nesse formato e horário que não se curva a uma releitura de algum clássico.

"A decisão foi da própria emissora, que em comemoração a seus 50 quer também lançar uma novela inédita no horário", explica Carrasco ao jornal O Estado de S. Paulo. Delicado, o tema poderia levar o autor a pisar em ovos, mas Carrasco diz que em nenhum momento se autocensurou. "Como fui jornalista muito tempo fiz eu próprio uma reportagem sobre o mundo da moda, o 'book rosa', que é o termo usado para as modelos que fazem trabalho de acompanhamento e também prestam serviços sexuais. Ou 'ficha rosa'. Fui fundo, conheci e entrevistei pessoas da área para desenvolver a história, com um grau de verossimilhança raro quando se trata desse universo. Nesse caso, o repórter que eu sou falou tão alto como o autor."

O tema surgiu, aliás, do currículo jornalístico. "Como jornalista, já trabalhei muito com moda, inclusive fazendo produção. Um dos meus primeiros trabalhos foi criar o figurino de um filme do pós-cinema novo, Orgia, de João Silvério Trevisan. Fiz o figurino e o cenário. Cheguei a dirigir a Vogue. Então, tenho uma atração especial pelo universo da moda."

No enredo, Rodrigo Lombardi vive Alex, poderoso empresário da indústria têxtil, que tem uma grife popular e trabalha com a agência de Fanny (Marieta Severo). Tem o hábito de escolher modelos no catálogo da agência para sair com ele. "Ao escolher o casting de um desfile dele, a Fanny sugere uma new face, (a ninfeta Arlete, papel de Camila Queiroz). Ela é chamada para o desfile e ele chama essa garota pra sair e se apaixona por ela", conta Lombardi.

Por circunstâncias diversas, o romance não vai adiante e ele, obcecado por ela, casa-se com a mãe de Arlete, Carolina - papel em que Drica Moraes substituiu Deborah Secco, em função da gravidez da atriz.

Carrasco assegura que a troca não demandou alteração no perfil da personagem. "Ocorre o contrário. A Deborah estava se envelhecendo para fazer a mãe. Ela estava disposta a dar uma intensificada em sua carreira de atriz, a investir em novos rumos e confio muito em seu futuro. A Drica está na idade correta." E conta que "Carolina acredita fundamentalmente na bondade humana". "Ela jamais imagina que a filha teve um caso com este homem ou pode vir a ter."

Lombardi cita Lolita como referência maior, mas há outras. "Ele é um hedonista, um cara que busca o prazer acima de tudo. Ele tem uma ex-mulher e dois filhos, que ele abandonou. Paga as contas e pra ele tá ótimo, não carrega culpa nenhuma. Não é questão de ser bom ou mau, ele tem atitudes que eu repudio muito mas outras pessoas vão entender de outro jeito. O que a gente quer é dar o pincel e a tinta para o espectador pintar sua própria tela. Não tem essa de 'ah, vamos colocar a moral da história'. Não."

Autor do beijo gay de maior aprovação da TV aberta brasileira até hoje (Félix e Niko em Amor à Vida), promete outra abordagem do personagem gay da vez, Viscky (Rainer Cadete). "É diferente de todas as outras que escrevi. Surpreendente mesmo, prometo. Aguarde."