CINEMA
Editoras rivais nas HQs duelam agora pela bilheteria
Um dos autores do guia Quadrinhos no Cinema, Alexandre Callari entende que a Marvel tomou a dianteira justamente por ter uma ideia muito mais clara do que gostaria de fazer
12/05/2015 - 11h02 | - Atualizado em 12/05/2015 - 11h11 Agência Estado
faleconoscorac@rac.com.br
Os heróis já estavam no cinema há tempos. O pouco conhecido Superman e o Homem Mola havia estreado em 1951, embora o gênero só tenha ganhado notoriedade 21 anos depois, com Superman: O Filme, estrelado por Christopher Reeve. Entre altas e baixas ao longo das décadas seguintes, o gênero renasceu de vez quando Robert Downey Jr., ator promissor que jogava a carreira fora pelos seus excessos, aceitou dar vida ao Homem de Ferro, em filme lançado em 2008.
A editora Marvel tinha um plano ambicioso de criar um universo cinematográfico gigantesco com seus personagens e lançou 11 produções até agora. Ao ver a Marvel dar as cartas nas adaptações cinematográficas, a grande rival da companhia nos quadrinhos, a DC, busca o contra-ataque. Agora, a disputa não é por exemplares de HQs vendidos e, sim, pelos milhões em bilheteria.
Um dos três autores do guia Quadrinhos no Cinema, que chega ao terceiro volume, Alexandre Callari entende que a Marvel tomou a dianteira justamente por ter uma ideia muito mais clara do que gostaria de fazer. "A Marvel criou uma fórmula nos filmes. Capitão América, Thor, Homem de Ferro e até o primeiro Vingadores. Eles obedecem a mesma fórmula de apresentar o herói, o vilão, a pancadaria. Está tudo bem formatadinho", diz ele, também editor das edições brasileiras das revistas Batman e Liga da Justiça, da DC.
A rival, por sua vez, patina justamente nessa falta de comando central, opina ele. "A Marvel tem a vantagem muito grande de ter no comando o Kevin Feige (presidente da Marvel Studios). A DC tenta fazer o mesmo com o (diretor) Zack Snyder. 
O fato é que a DC, depois do estonteante sucesso da trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, com filmes lançados em 2005, 2008 e 2012, perdeu seu cineasta mais promissor, Christopher Nolan, assim como rosto para o novo Batman/Bruce Wayne, com o ator Christian Bale. O fracasso retumbante de Lanterna Verde (2011) esfriou ainda mais as intenções do estúdio.

Hoje, o estúdio tenta seguir o rival, que descobriu uma mina de ouro ao criar uma linha condutora entre todos os seus filmes (veja detalhes dessa disputa abaixo). Sob o comando de Snyder, que colocou o Superman nos eixos com Homem de Aço, a DC planeja atropelar a Marvel reunindo logo seus principais personagens. Em 2016, colocará nas telonas Superman, um novo Batman, interpretado por Ben Affleck, e Mulher Maravilha, vivida por Gal Gadot. Com Batman Vs Superman: Origem da Justiça, a companhia tenta chegar perto da liderança da Marvel. O caminho, contudo, parece difícil até para alguém com superpoderes.