LIÇÃO DE VIDA
Conheça a história de Ingrid, a garçonete que fala três línguas e canta para os clientes
Aos 21 anos e mesmo depois de vários golpes da vida, Ingrid acredita que vale a pena ser uma pessoa admirável e do bem
07/05/2015 - 17h42 | - Atualizado em 07/05/2015 - 18h08 Mariane Mirandola
mariane.mirandola@rac.com.br
Foto: Camila Meneses Borges.
Ingrid acredita no amor, na bondade e principalmente no ser-humano
Ingrid acredita no amor, na bondade e principalmente no ser-humano
"Ingrid, você tem TPM?". A pergunta soou engraçada, mas não podia ser outra, após encontrar tanto bom humor e tanto carinho em uma mulher, ou melhor, menina. Com boné, avental e bloquinho em mãos, Ingrid Silva não tira o sorriso do rosto, tem um brilho diferente no olhar, mas o que chama mesmo a atenção é a sua voz. Quando fala e pergunta qual o pedido, parece que o mundo se desliga e fadas, dessas de desenho animado, estão ali conversando com você (ouça ao abaixo, ela cantando). 

Entre um atendimento e outro em uma hamburgueria de Americana, interior de São Paulo, ela aceitou conversar sobre sua vida. Olhava para todos os lados, para ter certeza que estava tudo bem e nessa troca, revelou que fala inglês, espanhol e alemão. Já morou fora, já passou fome, já foi atropelada, teve problemas sérios de saúde e em sua vida pessoal, chegou a morar em uma casa cheia de escorpiões. Sabe falar perfeitamente sobre fé, religião, ateísmo, homem, sociedade, mas fica toda vermelha e tímida quando o assunto é namorado e homem bonito.

Aos 21 anos e mesmo tão jovem, Ingrid acredita que vale a pena ser uma pessoa admirável e do bem, e quando questionada sobre os clientes chatos, que não dão a mínima para seu bom humor e chegam a tratá-la mal, foi rápida e direta na resposta: ''Eu passo''.

“Existem pessoas que tem inteligência e bom humor. Outras só são inteligentes, mas independente eu acredito que educação e respeito tem que estar acima de tudo. Se o cliente não for com minha cara, ele pode gostar de outra pessoa não tem problema”, afirmou.

Quanto ao seu dia a dia, Ingrid também foi muito bem humorada na resposta: “Eu sou guia turística, cantora, tradutora e às vezes também sou garçonete. Eu procuro mostrar toda minha gratidão pelo meu trabalho com esse diferencial”.
Com tanto conhecimento e disposição, ela foi questionada sobre o que não sabe fazer a resposta, foi ''voar''. “Ops, mas além de voar e também não sei dirigir e isso é uma grande frustração. Ainda não fui aprender porque não tenho condições financeiras”, concluiu. 
Sobre a vida, enfim, ela acredita na bondade das pessoas. Canta porque a música alegra e tem a certeza que somente as pessoas inteligentes são capazes de fazer as outras a sorrir. “Você se tornar uma pessoa admirável vale a pena; vale a pena ser bom e se eu puder deixar uma mensagem, digo seja bom, faça o bem”.
 
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