CINEMA
Mostra do Filme Livre começa hoje no CCBB
Este ano, e ao longo de cinco meses, estão sendo exibidos 200 títulos, entre curtas, médias e longas
29/04/2015 - 09h17 | - Atualizado em 29/04/2015 - 09h17 Agência Estado
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação.
A Mostra do Filme Livre é a maior vitrine da produção independente do Brasil
A Mostra do Filme Livre é a maior vitrine da produção independente do Brasil
Maior vitrine da produção independente do País, a 'Mostra Filme Livre' destaca-se pela quantidade, diversidade e duração, e sempre privilegiando filmes criativos e instigantes. Este ano, e ao longo de cinco meses, estão sendo exibidos 200 títulos, entre curtas, médias e longas. A mostra já esteve no Rio e em Brasília e agora chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo. Daqui, vai para Belo Horizonte. A abertura será com a homenagem a Maurice Capovilla, na presença do diretor, que estará na cidade para apresentar Nervos de Aço.

Em janeiro, Capô, como é chamado, já apresentou o longa inspirado em músicas do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues, o rei da dor de cotovelo, no Cinema da Praça, na Mostra de Tiradentes. Quer dizer - tentou mostrar, porque um problema com o arquivo de som tumultuou a exibição, e o filme precisou ser reprogramado. “Esse tipo de coisa ocorre com o digital. Não havia com o celuloide. Hoje existem diversos arquivos de imagem e som, e estamos sujeitos a essas contingências”, reclama. A digitalização veio para ajudar sob múltiplos aspectos, mas Capô, prudentemente, a encara com reserva. Se ela facilita a produção, está longe de resolver o tradicional nó górdio do cinema brasileiro, a exibição.

Mas ele está feliz com a homenagem, mesmo brincando. “Quando se lembram da gente, é porque já estamos muito velhos.” O próprio release do evento sinaliza para alguns filmes importantes de Capô - Subterrâneos do Futebol, O Profeta da Fome, O Jogo da Vida, feitos nos anos 1960 e 70. Quase todo mundo se esquece de Bebel, Garota Propaganda, de 1967, que, no entanto, é um de seus preferidos. “Alguns filmes ficam associados a uma época e caem numa espécie de limbo”, reflete. Paulista de Valinhos, Capovilla cresceu em Campinas, foi cineclubista e cursou filosofia (na USP). Como diretor, nos anos 1960, não se integrou nem ao Cinema Novo nem ao cinema marginal, por mais afinidades que tivesse com chefes de fila de ambos os movimentos.

Ele lembra que acompanhou O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, na ilha de edição - e até está dentro do carro, numa cena do filme. Aproveitando o embalo da grande retrospectiva do Cinema Novo que começa nesta quinta-feira, 30, na Cinemateca, o repórter quer saber de Capô quais são suas preferências. Ele cita os pré-cinenovistas, como Roberto Santos e Nelson Pereira dos Santos e, no auge do movimento - “que teve altos e baixos” - cita Os Fuzis, de Ruy Guerra, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Um pouco do espírito carnavalesco do segundo não deixa de estar em O Profeta da Fome, que Capô realizou baseado na figura do faquir Ali Kahn, que jejuou durante 100 dias no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo.

Ele reconhece que não partiu para o enfrentamento, mas fez, em linguagem cifrada, os filmes que pôde. “Se não fiz tudo o que queria, pelo menos sugeri muito do que pensava.” Fala com carinho das direções de TV. E do novo filme. Seu filho, Matias, fez a trilha, dando nova roupagem às canções do velho Lupi. As letras costuram a dramaturgia, e Arrigo Barnabé canta e atua, reinventando o poeta de Nervos de Aço. Aos. 79 anos, Capô não abriu mão de reinventar, e se reinventar. Nasceram um para o outro, a Mostra do Filme Livre e ele.

Para mais informações sobre a Mostra do Filme Livre, clique aqui. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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