ARTES PLÁSTICAS
Tomie Ohtake ganha homenagem em exposição com últimas obras
Mostra abre ao público nesta quinta-feira (2) no instituto que leva o nome da artista, em São Paulo
02/04/2015 - 07h54 | - Atualizado em 02/04/2015 - 07h57 Agência Estado
faleconoscorac@rac.com.br
No princípio - ou no fim, quase tudo é branco. É o pensamento que podemos ter ao entrar na exposição que apresenta a última fase de pinturas de Tomie Ohtake (1913-2015), que abre para o público nesta quinta-feira (2), no instituto que leva seu nome, em São Paulo. Ohtake, que morreu em 12 de fevereiro, aos 101 anos, apresenta na msotra que estava a experimentar formas e sombras.
 
Uma série de telas monocromáticas, todas brancas e datadas de 2014, recebe os visitantes como uma "provocação", diz o curador Paulo Miyada - é preciso olhá-las de perto para descobrir as texturas que a artista realizou nessas composições. Através de relevos muito sutis, concebidos nas telas com o uso da própria tinta acrílica.
 
A mostra traz, praticamente, todas as pinturas que a artista realizou no ano passado, um conjunto expressivo de quase 30 telas. "Ela começou a série a partir do desafio máximo de não usar a cor", afirma Paulo Miyada.
 
Já seria um grande feito "conquistar desenhos", explica o curador, através do branco chapado - como contornos que remetem a quadrados, círculos e linhas implícitos nas composições. Mas como a mostra Tomie Ohtake 100-101 reflete a verve de uma das principais criadoras da arte brasileira, o espectador vai surpreender-se, ainda, com as obras nas quais a artista lançou-se ao amarelo, vermelho, azul e, por último, ao verde.

"Parece que, em cada uma de suas fases, Tomie trata a cor, a matéria ou o gesto como elemento protagonista que puxa os outros", considera Miyada.