PESQUISA

Escolaridade do brasileiro sobe 8 pontos percentuais em 10 anos

Taxa passou de 28% em 2003 para 36% em 2013; rendimento médio também subiu
30/04/2015 | - Atualizado em 30/04/2015 - 21h13 Agência Estado
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: A2 Fotografia/Milton Michida
Aumento dos salários impactou na maior escolaridade da população
Aumento dos salários impactou na maior escolaridade da população
A escolaridade do brasileiro subiu 8 pontos percentuais na última década, mostra pesquisa divulgada hoje (30) pelo Instituto Data Popular. Em 2003, 28% da população ocupada tinham o ensino médio incompleto ou completo. Em 2013, o percentual subiu para 36%. Já o total de trabalhadores com formação universitária completa aumentou de 12% para 14% em dez anos, enquanto o de trabalhadores com ensino fundamental incompleto ou completo diminuiu de 50% para 43%.

De acordo com a pesquisa, os trabalhadores também estão ganhando mais. O rendimento médio, em 2003, era R$ 1.305 e subiu para R$ 1.898, em 2013. O presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, disse que a renda do trabalhador aumentou, basicamente, em função da política de aumento real do salário mínimo que ocorreu no Brasil nos últimos dez anos e da expansão da escolaridade.

“Na prática, isso aumentou o salário base dessas pessoas. Teve o aumento da formalização e o aumento real do salário mínimo. Em paralelo a isso, a gente começou a ver o aumento da escolaridade média das pessoas, que ainda é aquém do que todos nós gostaríamos, mas foi um crescimento que veio para ficar”. Meirelles informou que hoje, 75% dos jovens trabalhadores do país estudaram mais do que seus pais.

Segundo o presidente do Data Popular, criou-se no Brasil um círculo virtuoso com alvo no aumento médio da escolaridade das pessoas, de um lado, ao mesmo tempo que mostra a importância efetiva de se ter uma política de valorização real do salário mínimo. “Porque muita gente conseguiu ter mais condições de estudo devido ao aumento da renda média em geral”.

Meirelles lembrou que anteriormente, os filhos paravam de estudar para ir trabalhar. Por isso, segundo ele, a existência dessa cultura de que a melhora da escolaridade era concorrente com o mercado de trabalho se estendeu por muitos anos. “Porque, para conseguir sustentar a família, as pessoas tinham que parar de estudar para trabalhar”. Esse modelo, disse, perpetuava a desigualdade. “Era como se quem nasceu pobre devesse ter profissão de pobre e quem nasceu rico, profissão de rico”.

O presidente do Data Popular destacou que o aumento da escolaridade mudou o acesso a profissões e empregos que antes eram exclusivos de pessoas que tinham “berço”, como se costumava designar, segundo ele, as pessoas de classe econômica mais alta. “Essas pessoas tinham melhores condições de estudo porque não eram obrigadas a parar de estudar para trabalhar”, sustentou.

De acordo com Meirelles, cada ano de estudo representa 15% a mais no salário médio das pessoas até a universidade. Meirelles enfatizou que quando os brasileiros passaram a entender que quem estudou mais ganha mais, as famílias deixaram de enxergar o estudo como concorrente do trabalho e passaram a entender o estudo como uma ferramenta estratégica para que eles melhorem de vida de forma sustentável.
 
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