FRASES
7 curiosidades do 'Zé Bonitinho' reveladas por Jorge Loredo
"Tem hora que eu não acredito que eu passei por tudo isso. Eu digo "Pelo amor de Deus! Quanto tempo eu já passei isso!". E estou aqui até o dia que me for permitido"
26/03/2015 | - Atualizado em 26/03/2015 - 10h23 Mariane Montedori
mariane.montedori@rac.com.br


Foto: Divulgação.
O célebre personagem Zé Bonitinho, do humorista Jorge Loredo
O célebre personagem Zé Bonitinho, do humorista Jorge Loredo
Humorista Jorge Loredo, conhecido nacionalmente por dar vida ao personagem mais 'bonitinho' da TV Brasileira, faleceu na manhã desta quinta-feira (26), por volta das 6 horas.
 
Inesquecível por seu visual irreverente, com um óculos maior que seu rosto e um famoso pente retirado do bolso do paletó, separamos algumas frases para relembrar aquele que soube como ninguém dar algum sentido à vaidade. 

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Zé Bonitinho será lembrado com carinho, não apenas nesta geração. Mas na história da comédia brasileira. 

1. Sobre o assédio
Uma vez uma mulher me procurou no camarim e me convidou para ir à casa dela passar a noite com ela. Eu fiquei meio em dúvida, mas fui levando. Já estava disposto a ir, tirei a roupa toda do personagem, e ela disse “Não. Eu quero você, mas vestido de Zé Bonitinho”. Claro que eu não fui.

2. Do drama ao riso 
Quando eu fui fazer o Zé Bonitinho pela primeira vez, eu estava achando que estava fazendo um grande papel dramático, uma grande performance. Aqueles risos estavam me incomodando. Quando saí de cena, o Chico Anysio me viu e perguntou o que havia acontecido. Eu disse que todo mundo estava rindo. Ele me falou que era claro que tinham que rir. Eu não tinha entendido. Depois fui me adaptando e vi que o tipo era engraçado.

3. Influência
Quando eu comecei a fazer o Zé Bonitinho, eu fumava em cena. Uma senhora me encontrou na rua e pediu para eu parar de fumar porque o neto dela gostava muito de mim e estava comprando cigarrinho de chocolate para imitar. Eu disse para ela ficar tranquila que eu nunca mais ia fumar em cena. E nunca mais fumei. Que bonitinho, não é gente?! 

4. Improviso
Eu entrava ao vivo, e tinha duas câmeras: uma de frente pra mim, claro, e outra de lado. O assistente de estúdio ficava embaixo da primeira para me lembrar de alguma coisa, caso esquecesse. Só que um dia, ele disse que a câmera tinha pifado, pra eu virar para a outra. Na mesma hora, virei e falei: “Câmera, close!”. Mas precisava mudar o microfone de lugar pra me acompanhar. Aí, pedi: “Microfone, please!”. E o Russo, aquele que trabalhou com o Chacrinha e tantos artistas, jogou em cima de mim.
 
5. Sobre a morte
Agora, comecei a ficar mais preocupado com isso. Minha mãe, que morreu aos 101 anos, era muito espiritualizada. Um dia, já trabalhando na TV, disse a ela que ia largar a vida artística. Ela falou que eu não podia fazer isso. ‘Você se lembra quando sentia muitas dores na perna e eu imitava o Oscarito pra você rir? Você tem que continuar ajudando os outros, fazendo-os rir’, rebateu, ela. Quando fico meio pensativo, volto à minha primeira infância, recordações da bisavó Reginalda, que foi camareira da Princesa Isabel, e morreu com 105 anos.

6. Pós-Zé
Nunca pensei num sucessor para o Zé Bonitinho. Os meus fãs de antigamente estão me apresentando aos netinhos que são meus fãs agora. Eu acho que eu já peguei a terceira geração. E se o Grande Mestre lá em cima permitir, é capaz de eu pegar a quarta.

7. Zé Bonitinho em Cena
Nos despedimos com uma cena de 'A Praça é Nossa'. Vá em paz, Zé Bonitinho