SAÚDE

Estudo relaciona infertilidade masculina a problemas de saúde

O pesquisador ressaltou que 15% de todos os genes do genoma humano estão conectados com a reprodução
14/01/2015 | - Atualizado em 14/01/2015 - 17h35 Portal RAC
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação
Pesquisadores relação entre a baixa qualidade do sêmen e um aumento das chances de sofrer de hipertensão
Pesquisadores relação entre a baixa qualidade do sêmen e um aumento das chances de sofrer de hipertensão
Estudo realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, relacionou pela primeira vez defeitos no sêmen masculino com outros problemas de saúde. Depois de analisar as causas da infertilidade de mais de nove mil homens, pesquisadores perceberam forte correlação entre a baixa qualidade do sêmen e um aumento das chances de sofrer de hipertensão, doenças de pele ou endocrinológicas. Publicado no jornal Fertility and Sterility, o estudo revela que metade dos casos de infertilidade conjugal se deve a deficiências seminais. “Precisamos prestar mais atenção a esses milhares de homens. A infertilidade é um alerta para outros problemas de saúde em geral”, diz o professor Michael Eisenberg, que conduziu o estudo.

O pesquisador ressaltou que 15% de todos os genes do genoma humano estão conectados com a reprodução e muitos deles têm também funções diversas no organismo. Sendo assim, não apenas uma doença pode estar relacionada à infertilidade, como também o tratamento de determinada doença pode ser responsável por problemas reprodutivos. “A saúde masculina está diretamente ligada à qualidade do sêmen. Por isso, cada vez mais precisamos analisar essa correlação detidamente. Em vários casos, ao buscar ajuda numa clínica especializada em tratamento de infertilidade, o homem tem oportunidade de tratar de outras condições para melhorar sua saúde em geral”, diz o especialista.

No Brasil, o primeiro estudo do gênero foi realizado pelo Instituto Sapientiae, braço acadêmico do Fertility Medical Group. A análise de 2.300 amostras de sêmen fornecidas por pacientes que recorreram ao tratamento de fertilização assistida nos períodos de 2000-2002 e 2010-2012, evidenciou diferenças estatisticamente significativas nas características seminais dos indivíduos analisados, principalmente em relação à concentração de espermatozoides e à sua morfologia. “Pode-se dizer que a saúde e a fertilidade das futuras gerações estão em risco”, diz Edson Borges Junior, especialista em Medicina Reprodutiva que está à frente do grupo.
 
Fontes:

Dr. Edson Borges Junior, diretor do Fertility Medical Group (www.fertility.com.br) e presidente do Instituto Sapientiae (www.sapientiae.org.br) – onde foi realizado o estudo “Decline in semen quality among infertile men in Brazil during the past 10 years” (Declínio da qualidade seminal em homens inférteis no Brasil durante os 10 últimos anos).
 
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