IBE-FGV

Gasto excessivo do governo faz consumidor pagar a conta

Para especialista em consultoria financeira empresarial, aumento da inflação se deve aos gastos a mais
27/01/2015 | - Atualizado em 27/01/2015 - 17h31 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
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Aumento do IOF deve gerar R$ 7,38 bilhões ao governo em 2015.
Aumento do IOF deve gerar R$ 7,38 bilhões ao governo em 2015.
Anunciado na última semana, o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ainda vem repercutindo nos bastidores econômicos. Para especialistas da área, a manobra é mais um impacto negativo no mercado brasileiro.

Divulgado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy como estratégia para elevar a arrecadação e melhorar o superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública), o IOF antes de 1,5% e que se operava em relação ao tempo de duração da operação, agora passa para 3%, mais a alíquota adicional incidente sobre a abertura de crédito de 0,38%.

“Se a operação financeira for com prazo superior a 365 dias, esta transação se sujeitará a uma alíquota de 3,38%, que é o IOF (alíquota adicional de 0,38%) mais o IOF (em função do prazo) de até 3%”, explica o diretor do Grupo CLR Consultoria Empresarial, parceiro da IBE-FGV no programa Intersector Alliance, Aci Coutinho.

Para Coutinho, o resumo dos problemas econômicos começa nesse ponto. Devido ao abrupto aumento de tributação, quando o consumo, já prejudicado pela estagnação da economia e inflação recorrente, recebe mais este impacto negativo.

“Neste sentido, os agentes financeiros, que já fazem restrições ao crédito, no caso para pessoas físicas, pela inadimplência rondando a segurança creditícia, agora vêem o seu cliente ainda mais onerado pelas operações de crédito que venha realizar”, afirma.

De acordo com o especialista, neste caso, perdem o agente financeiro e seu cliente e ganha o Governo, que somente com a medida deverá arrecadar mais R$ 7,38 bilhões em 2015.

Coutinho ressalta que o consumo não é o problema, pelo contrário, já garantiu a estabilidade na economia do país. “O consumo em si não é o único responsável pela inflação. A responsabilidade é do Governo, que gasta mais do que pode, e, portanto, precisa se submeter ao mercado para se financiar”, disse.

O diretor ainda considera que o aumento de tributos não é uma manobra assertiva do governo em ações para diminuir o custo Brasil. “O consumo é ferramenta indispensável para o crescimento econômico, se, para tanto, houver uma política de investimentos estruturais e custos menores de Governo,” finaliza Coutinho.
 
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