IBE-FGV

Especialista afirma que aumento na tarifa de energia pode chegar a 15%

Segundo o coordenador do MBA do Setor Elétrico da IBE-FGV, país só não teve racionamento porque cresceu pouco
22/01/2015 | - Atualizado em 22/01/2015 - 18h21 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Cedoc/RAC
Setor elétrico tem sofrido com as mudanças de regras
Setor elétrico tem sofrido com as mudanças de regras
Enfrentando uma das maiores crises hídricas da história do sudeste do país, os brasileiros encaram um dos momentos mais críticos do setor elétrico. Com apagões se tornando mais frequentes e temidos, o coordenador do MBA do Setor Elétrico da IBE-FGV, Diogo Mac Cord de Faria, fala dos fatores que devem ser considerados para analisar a situação atual.
 
De acordo com o especialista, os principais desafios que o setor enfrenta são a falta de planejamento e equilíbrio das normas utilizadas. “Hoje temos um desequilíbrio estrutural no setor elétrico. Nós só não vivemos um racionamento em 2014 porque o país não cresceu o esperado. Nós temos um déficit na geração de energia e essa é a primeira coisa que precisa ser resolvida para garantir a oferta de energia nos próximos anos,” afirma.
 
O segundo desafio, segundo o coordenador, se relaciona à estabilidade das regras que a população vive desde o final de 2012, um cenário complicado que tornou-se instável com o decorrer dos anos. “O segmento foi visto por muito tempo como equilibrado, confiável, mas de dois anos para cá ele sofreu muito com mudanças de regras, o que gerou uma insegurança jurídica. Isso afugentou alguns investidores,” explica.
 
Capacitação
  
Além dos dois principais fatores, Faria fala sobre o aumento vulnerável de profissionais da área, que precisam se atualizar diariamente e buscar frequentemente na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) as novas soluções normativas. Ele ainda ressalta as dificuldades enfrentadas pelas concessionárias.
 
“Os funcionários devem estar atualizados para entender o funcionamento da empresa, que por sua vez sofre com as regras por trabalhar em modelos institucionais. Por exemplo, quando sofre algum déficit ou prejuízo nas operações, a empresa não pode inflacionar seus gastos e aumentar as tarifas, porque, para isso, é necessária autorização da Aneel,” ressalta Faria.
 
Sobre o aumento atual das tarifas, Faria explica que é um ajuste necessário que pode variar entre 10% a 15% no decorrer de 2015. “O Brasil ainda depende muito das térmicas, que possuem um custo 30% maior que as hidrelétricas. O gasto para produzir energia é muito maior que o valor pelo qual ela é vendida. Aumentar as tarifas é necessário para estabilizar e manter um equilíbrio no setor”, finaliza.
 
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