CRISE HÍDRICA

"Brasileiro só aprende quando mexe no bolso", afirma especialista

De acordo com professor, aumento na tarifa de água pode ajudar no uso consciente
21/01/2015 | - Atualizado em 21/01/2015 - 18h17 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Luís Moura/ AE
Reservatórios operam em níveis críticos no estado de São Paulo
Reservatórios operam em níveis críticos no estado de São Paulo
Após anunciado pela Sabesp o aumento de até 11,89% nas tarifas de água das cidades da região de Campinas abastecidas pela companhia, o professor de sustentabilidade da IBE-FGV, Luiz Bueno, analisa a medida como um primeiro passo para a população encarar a crise hídrica prevista para este ano.

Segundo Bueno, este será um ano complicado quando os assuntos tratados forem eficiência hídrica e energética, uma vez que boa parte da energia gerada no Brasil provém de hidrelétricas. "A previsão para este ano é que o volume de chuva seja, no mínimo, 30% inferior ao ano passado. Como já estamos encarando uma temporada de estiagem, se a população não colaborar, o estrago será bem maior," afirma o especialista.

A falta de planejamento e investimentos no setor hídrico por parte do governo, o consumo inconsciente e a falta de educação da população foram citados por Bueno como os principais fatores para a crise atual. De acordo com ele, a população só muda de atitude quando começa a sentir no bolso o desperdício, o que tornaria aceitável o aumento das tarifas na conta.

"O brasileiro teve uma fase que esqueceu que a água era um bem finito, utilizando-a como se não houvesse amanhã, mas tem. Quando não se consegue aprender pelo engajamento, pela consciência, tem que ser aprendido por onde mais dói, nesse caso, no bolso. Com o aumento da população, tornam-se obrigatórios economia e conscientização," explica.
 
Para o professor, medidas como o rodízio e o racionamento não são as soluções para o problema da crise, mas são as decisões necessárias a serem tomadas para não gerar um problema maior. Ele ainda enfatiza a importância do gerenciamento da crise e valorização da água pela população. "É preciso planejar e gerenciar muito bem a crise nesse momento, para não enfrentarmos uma situação catastrófica daqui alguns anos".

"Ninguém lava a calçada com champanhe francês por ser caro, por isso, as pessoas deveriam ter essa mesma consciência quando o assunto é a água," finalizou.
 
Veja também