ECONOMIA

Analistas de mercado da FGV indicam que início de 2015 será engessado

De acordo com especialistas, inflação não deve dar trégua e cenário pode piorar
23/12/2014 | - Atualizado em 23/12/2014 - 20h52 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
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Taxa de juros, inflação e PIB podem não apresentar resultados bons em 2015
Taxa de juros, inflação e PIB podem não apresentar resultados bons em 2015
Em 2014, os preços dos produtos no campo ficaram apenas 1,7% mais caros (Índice de Preços ao Produtor Amplo - IPA), de acordo com o Índice Geral de Preços 10 (IGP-10/FGV) acumulado em 12 meses até novembro, enquanto que os itens encontrados nas prateleiras dos supermercados, além dos serviços, bateram os 6,6% (Índice de Preços ao Consumidor - IPC) de aumento no mesmo período.

Para 2015, a expectativa está longe de ser favorável. A taxa de inflação tende a repetir a variação deste ano ou, pior, ultrapassar os 6,5% previstos para 2014, pressionada pelos preços administrados, ou seja, aqueles controlados pelo governo que já vem puxando os resultados para cima.

Analistas de mercado também aumentaram a expectativa da Selic para 12,5% para o próximo ano, meio ponto percentual acima do que estavam esperando. Mas, mesmo com a alta dos juros, a inflação deve ser manter alta, pressionada pelo câmbio. Em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015, a estimativa é de menos de um ponto, apenas 0,73%.

“Todas as previsões apontam para um ano muito complicado, principalmente no primeiro semestre. A inflação não dará trégua, os juros podem voltar a subir e a crise de escassez de água e energia devem alimentar ainda mais a inflação, sem contar no aumento da taxa cambial. Tudo remete a muita cautela e a palavra de ordem é segurança”, declara o professor de Economia da IBE-FGV, Mucio Zacharias.

Segundo ele, é após as festividades do final de ano que a maioria começa a fazer contas, mas aí já poderá ser tarde. A dica é se planejar o mais rápido possível. “Coloque na ponta do lápis tudo o que sobra mensalmente. Caso tenha dívidas de curto prazo com juros exorbitantes, coloque o pagamento dessas dívidas como prioridade, pois certamente, no decorrer de 2015 se beneficiará dos juros que não vai mais pagar e certamente isso fará com que tenha equilíbrio de caixa”, recomenda.

Ele explica que o consumo não é ruim, pelo contrário, é muito bom para a economia. “Mas, comprar e depois entrar em dívida rotativa é a mesma coisa que tentar enxugar gelo, não vai dar certo. É mais barato começar a mudar hoje”.
 
Emprego

O especialista em Gestão de Pessoas e também professor da IBE-FGV, Sergio Miorin, está esperando um mercado de contratações desaquecido. “As empresas devem contratar, mas em baixa escala e com dificuldade para encontrar mão obra qualificada”, afirma. Para ele, o destaque será para os profissionais qualificados e proativos, cujas competências comportamentais superem as especializações e que por isso sejam a “menina dos olhos” de qualquer organização.

Por outro lado, as empresas com planejamento e inteligência estratégica apurada não deverão demitir seus profissionais qualificados, mesmo no momento crítico. “Caso o façam, correrão o risco de não encontrar outro do mesmo nível”, conclui.

Além de menos vagas criadas, com queda de 38% ante os primeiros 10 meses de 2013, (de acordo com o Caged) a diferença entre salários de demitidos e contratados tem crescido, o que contribui para queda do rendimento médio das famílias. Além disso, o ganho real dos salários também vem perdendo força.
 
Segundo o Dieese, o ganho acima da inflação neste ano foi de, em média, 1,5 ponto, ante 2,5 pontos em 2013. Para economistas, a renda média menor tende a levar pessoas fora do mercado a voltar a procurar trabalho.
 
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