SAÚDE

Ginecologista esclarece dúvidas sobre fertilidade

O ginecologista responsável pela área de Reprodução Humana da Criogênesis, Renato de Oliveira, esclarece os principais questionamentos
27/10/2014 | - Atualizado em 27/10/2014 - 21h44 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação
Soluções eficazes para o tratamento de casais que encontram dificuldades para gerar seu bebê
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Quais as principais causas da infertilidade?

As causas da infertilidade são divididas democraticamente. Em 30% dos casais avaliados, identificam-se fatores exclusivamente femininos. Mesmo valor encontrado tanto para a identificação de fatores exclusivamente masculinos quanto para a identificação de uma causa em ambos. Nos 10% restantes, não se encontra um fator preponderante que justifique a infertilidade. Isto se denomina infertilidade sem causa aparente. Deve-se destacar que não significa que não há uma causa, mas que não foi possível reconhecer o fator de infertilidade com os métodos utilizados ou disponíveis na atualidade.

Quando um casal é considerado infértil?

Podemos dizer que a ausência de gravidez após um ano de tentativas frequentes sem o uso de métodos anticoncepcionais caracteriza a infertilidade. Se há uma causa conhecida ou se a mulher possui mais de 35 anos, a procura de um especialista a fim de diagnosticar infertilidade não deve esperar um ano.

Quando o casal deve procurar tratamento para ter filhos?

Após um ano de vida sexual sem contracepção e sem obter uma gestação ou após dois abortos consecutivos. Além disso, há uma recomendação da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva que a mulher com mais de 35 anos deve procurar um especialista após 6 meses de tentativas sem sucesso e, após os 40 anos, procura imediata assim que desejo de gravidez. Caso tenha outra suspeita de dificuldade para engravidar em qualquer idade, a procura de avaliação também é indicada.

A fertilidade diminui com a idade?

Sim. Há uma queda da fertilidade com a idade. Sabemos que por volta dos 35 anos, 16% dos casais possuem dificuldade em engravidar. Este valor aumenta até os 37 anos e a queda da fertilidade é mais acentuada até, aproximadamente, 43 anos. Após esta idade, dentre as pacientes inférteis submetidas aos tratamentos mais sofisticados, como a fertilização in vitro, apenas ao redor de 5% alcançarão uma gravidez.

Quais são as maiores causas da infertilidade masculina e feminina?

A principal causa de infertilidade masculina é desconhecida (chamada de idiopática). Porém, destaca-se a varicocele, fatores obstrutivos, genéticos ambientais com a drogadição e uso de anabolizantes. A mulher tem como principais causas de infertilidade a endometriose, alterações tubárias, distúrbios da ovulação, destacando a síndrome dos ovários policísticos, alterações uterinas, dentre outras.

Problemas de fertilidade são hereditários entre as mulheres?

Depende do problema. Sabe-se que há um componente familiar em doenças como miomas, endometriose e falência ovariana prematura (menopausa precoce). Já os homens podem ter alterações genéticas que levam a redução da qualidade do sêmen. Outra situação rara, mas importante, é quando há ausência dos ductos deferentes bilaterais (canais que transportam os espermatozóides do testículo para o ducto ejaculatório). Este problema está relacionado a uma mutação do gene da fibrose cística, doença grave que deve ser avaliada.

Qual a idade mais indicada para a mulher engravidar?

A mulher está suscetível à gravidez a partir da sua primeira menstruação. Mas vale destacar fatores importantes em cada fase da vida. A maior vantagem em engravidar aos 20 e poucos anos diz respeito à saúde. Isto porque os riscos de doenças como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia são menores nesta fase. Por volta dos 30 anos, é o período que a maioria das pacientes por questões profissionais e sociais escolhe para engravidar. A estabilidade financeira e emocional faz com que a mulher aproveite e curta muito mais a maternidade, influenciando o bem-estar, tanto dela quanto do bebê. A partir dos 35 anos, os obstetras já consideram a gestação de risco e ainda alertam para a queda progressiva da fertilidade feminina.

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