SAÚDE

Pesquisa mostra que homens subestimam risco de osteoporose

Muitas vezes ignorada em consultas de rotina, doença pode levar a fraturas, dor, incapacidade e morte prematura
20/10/2014 | - Atualizado em 20/10/2014 - 19h06 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação
Pouco conhecimento sobre a saúde óssea também é fruto da falta de cuidado de médicos
Pouco conhecimento sobre a saúde óssea também é fruto da falta de cuidado de médicos
Resultados de uma pesquisa inédita, publicada pela Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), revelam que 89% dos adultos brasileiros não estão cientes do quão comum são as fraturas causadas pela osteoporose em homens mais velhos. Com um em cada cinco homens com mais de 50 anos de idade afetados, os dados confirmam que, apesar de comum e debilitante, a osteoporose ainda é um problema de saúde subestimado e negligenciado.

De acordo com a pesquisa internacional – realizada em homens e mulheres de 12 países -, a falta de conhecimento era universal e independente do gênero ou da geografia. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (20), dia que abre a Semana Mundial de Combate à Osteoporose.

O reumatologista Cristiano Zerbini, membro de Board Global da IOF e diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica (Cepic), em São Paulo, explica que a osteoporose é uma doença que torna os ossos fracos e propensos a quebrar com facilidade. “Por ser mais comum em mulheres na pós-menopausa, o público em geral, e até mesmo os médicos, muitas vezes não percebem que a osteoporose também é um problema de saúde sério para os homens mais velhos”, afirma o médico.
 
Menos prevenção

A pesquisa também revelou que os médicos não estão abordando a saúde óssea de seus pacientes do sexo masculino durante a consulta de rotina. Cinqüenta e quatro por cento dos homens brasileiros com mais de 50 anos disseram que nunca tiveram nenhum tipo de avaliação da saúde óssea durante uma visita de rotina ao médico.
 
Eles relataram não haver sido questionado sobre sua saúde óssea ou discutido sobre os fatores de risco para a osteoporose. Também não foram questionados sobre o acontecimento de fraturas anteriores ou receberam indicação para realização de teste para avaliar a densidade mineral óssea. Entre as mulheres com mais de 50 anos essa taxa cai para 24%. Os homens são, portanto, 30% menos propensos a ter qualquer tipo de avaliação da saúde óssea em comparação com as mulheres da mesma faixa etária.

O presidente da IOF, John Kanis, afirma que “os resultados deste estudo internacional são preocupantes, pois revelam que os médicos também estão negligenciando a saúde óssea dos homens mais velhos, apesar de as fraturas osteoporóticas em homens com mais de 50 anos de idade serem mais comuns que o câncer de próstata. Sabemos também que, após de uma fratura de quadril, os homens tem duas vezes mais probabilidade de morrer em comparação com as mulheres, com taxas de mortalidade de até 37% no primeiro ano após a fratura".
 
Veja também