ECONOMIA

Mercado "nervoso" pode afetar consumidor no Natal

Dicas para famílias incluem priorizar as contas tradicionais do começo do ano ao invés de investir em presentes
30/10/2014 | - Atualizado em 30/10/2014 - 17h27 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Agência Brasil
Consumidor precisa ficar atento à economia na hora de fazer investimentos de longo prazo
Consumidor precisa ficar atento à economia na hora de fazer investimentos de longo prazo
Menos de uma semana após as eleições, o assunto ainda pauta o noticiário e resulta no sobe e desce do mercado. Pesquisas divulgadas nos últimos dias indicam que a situação, de acordo com especialistas da IBE-FGV, deve se manter instável até a definição sobre a política econômica para os próximos quatro anos de mandato.
 
"O problema é que, em função das indefinições por parte do governo, o mercado prefere vender enquanto espera os novos passos do governo para lidar com os significativos desafios no campo econômico", explica o professor de Economia da IBE-FGV, Paulo Grandi.

Todo esse movimento, seja a variação do dólar ou baixa de ações, impacta diretamente o bolso do consumidor em um período que deveria gerar aquecimento das vendas, devido à proximidade do Natal. Nesse contexto, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) da Fundação Getulio Vargas manteve a trajetória de declínio observada ao longo de 2014 do último trimestre ao variar -10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 1,5% entre setembro e outubro de 2014, ao passar de 103,0 para 101,5 pontos, menor nível desde abril de 2009.
 
Para João Mantoan, economista e sócio da Economies Consultoria Econômica, além de professor do FGV Management na IBE-FGV, a responsabilidade pelo cenário de baixo desempenho econômico é do governo e de suas políticas públicas.
 
"O Planalto não levou em conta os riscos que poderiam comprometer o desempenho de empresas, ressurgir a inflação sem controle, reduzir de forma sistemática o crescimento do PIB e aumentar a carga tributária, entre outras. Eles viraram realidade e impactaram diretamente os investimentos, produtivos e especulativos, derrubando bolsas, elevando a cotação do dólar e com certeza também irão refletir na inflação, inflando também o bolso do consumidor", afirma.

Natal econômico

São nestas condições que as famílias já começam a se preparar para um Natal mais econômico. "O governo demonstra uma preocupação em dar algum sinal positivo para o mercado na tentativa de acalmá-lo com a divulgação dos nomes dos possíveis candidatos à Presidência do Banco Central e ao Ministério da Fazenda ou o anúncio de medidas de estímulo à economia", diz Mantoan. Mas, enquanto isso não ocorre, Grandi recomenda cautela com o orçamento familiar. "Todo cuidado é pouco", avisa.

Independentemente destes possíveis sinais, o mercado demonstra que, certamente, poderá resistir a possíveis anúncios, pois entende que a situação é mais complexa do que muitos especialistas do Planalto podem imaginar ou divulgar.
 
"O planejamento em curto prazo não deve ser mudado significativamente, observando a característica de cada família. Porém, não é aconselhável assumir compromissos de longo prazo, antes dessas definições por parte do governo", aconselha Paulo Grandi.

Não se deixar levar pela empolgação e o espírito de confraternização que envolve a todos a partir de agora também deve ser um cuidado a mais. "Uma das dicas mais famosas e tradicionais é considerar o fluxo de caixa, por mais simples que seja. Não gastar mais do que recebe é fundamental", considera João Mantoan. As contas do início do próximo ano devem, desde já, ser levadas em consideração. Carnês de IPTU, IPVA, cartão de crédito, matrícula/rematrícula escolar, entre tantas outras, devem ser prioridade.
 
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