UNICAMP

Brincadeiras são esquecidas no ensino fundamental, aponta pesquisa

Mudança da idade de saída do ensino infantil transformou o modelo de educação nas escolas avaliadas
29/08/2014 | - Atualizado em 01/09/2014 - 18h11 Portal RAC
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação
Parquinhos deixaram de ser utilizados com mais frequência
Parquinhos deixaram de ser utilizados com mais frequência
Uma pesquisa da Faculdade de Educação Física da Unicamp revela que as brincadeiras já não são tão bem-vindas no ensino fundamental. O levantamento, feito pela pesquisadora Luciana Dias de Oliveira, foi realizada em duas escolas municipais da cidade de Indaiatuba, na região de Campinas, a partir de entrevistas com coordenadores de ensino e professores de duas turmas de primeiro ano, além de períodos de observação de aula.
 
Uma das explicações possíveis para a constatação é que, em 2010, passou a ser obrigatória a matrícula de crianças de seis anos de idade no ensino fundamental, agora estendido para nove anos. Antes da mudança, a criança permanecia até esta idade na educação infantil e tinha o brincar como uma das principais atividades. A rotina de diversão no parquinho, inerente à infância, então foi trocada pelo lápis e caderno.
 
“O brincar que era apropriado dentro da educação infantil, deixou de ser algo importante mas equivocado até, porque atrapalha a sala de aula. Se na educação infantil as crianças brincam a todo o momento, vão ao parque com bastante frequência, na educação fundamental existe a aula de educação física e muita cobrança. Brincar é só depois, se terminar a lição. Se não terminar, não pode”, afirma Luciana.
 
Por toda a vida
 
A pesquisadora afirma que a importância do brincar é um direito que não se limita somente à infância, mas deveria se estender por toda a vida adulta. “O ser humano necessita de prazer além do trabalho, e é no jogo ou outra atividade de lazer que se pode sentir-se ‘vivo’, pois a pressão dos compromissos obrigatórios causa a automatização das ações e alienação nas pessoas. A falta de tempo e o esquecimento da importância do brincar na vida adulta, não podem contaminar a infância, já que ambos, brincar e infância, são inalienáveis”.
 
Luciana explica que há várias possibilidades de mediação das brincadeiras que possibilitam o aprendizado. Ela propõe por exemplo que o parque, quando existir, seja aproveitado pelo professor que poderia utilizar um instrumento que desafie os alunos, como um bambolê ou qualquer outro elemento diferente àquele ambiente que possa despertar o interesse da criança para o brincar.
 
“O brincar também deve ser aprendido. Se você oferece um jogo para os alunos precisa explicar como funciona, quais são as regras. A criança pode dar outra função para as peças, mas ainda assim está agindo com autonomia. O grande risco se não houver mudanças, afirma a pesquisadora, é educar apenas para o trabalho, como se a vida fosse apenas isso.
 
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