'Planeta dos Macacos: O Confronto' aborda uma história envolvente e realista -


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'Planeta dos Macacos: O Confronto' aborda uma história envolvente e realista
Longa surpreende com um roteiro encaixado e efeitos especiais de tirar o fôlego
08/08/2014 | - Atualizado em 15/08/2014 - 09h07 Suelyn Oliveira
suelyn.oliveira@rac.com.br
Dirigido por Matt Reeves (roteirista de alguns filmes e da famosa série Felicity), 'Planeta dos Macacos: O Confronto' veio pra apagar de vez a má impressão deixada pelo primeiro filme, 'Planeta dos Macacos: A Origem' que teve Will (James Franco) e o macaco César - que infelizmente passou o filme inteiro com cara de bobo - como estrelas. Em resumo, um roteiro fraco e sem surpresas.
 
Foto: Divulgação.
Planeta dos Macacos: O Confronto
Planeta dos Macacos: O Confronto

A sequência se passa dez anos depois da batalha na Golden Bridge, em São Francisco, em uma era onde o futuro dos humanos está ameaçado devido a uma doença desenvolvida em laboratório em meio a experimentos que tinham por objetivo descobrir a curda do Mal de Alzheimer. A consequência foi o surgimento da chamada gripe símia, que dizimou grande parte da população mundial.

Em meio a isso, uma crise energética assola um grupo de sobreviventes liderados por Malcon (Jason Clarke) e Dreyfus (Gary Oldman) que buscam uma maneira de entrar em uma floresta para reativar uma antiga usina hidrelétrica. No entanto, descobrem que ali é domínio de macacos que seguem César (Andy Serkis, digitalizado pelo processo de performance capture - que capta os movimentos do corpo e rosto) e precisam negociar com ele a fim de manter uma chance de sobrevivência aos humanos.

O problema é que esse encontro não acontecia desde o incidente na ponte, e quando ocorre a tensão toma conta da relação homem x primata, pois nenhum confia no outro. E justamente por isso, ao entrar na floresta, um dos integrantes humanos acaba atirando em um dos macacos. E quando você imagina que ocorrerá uma guerra entre eles, os símios mostram sua força e de maneira ''pacífica'' expulsam os humanos do local.

A partir daí, o foco passa ser a vida dos primatas, e percebemos um grupo de símios muito bem desenvolvido, com estrutura social, linguagem de sinais (que César aprendeu com Will como mostrado no primeiro filme) e até alguns como professores. Além disso, é notável ver o líder - César - como um ser extremamente inteligente, que sabe comandar sua legião e ensina a eles sobre família, respeito e confiança.

Por outro lado, a sociedade humana está totalmente desfragmentada, cada um vive por si. Há a presença de pequenos grupos, que não se comunicam, espalhados pelo mundo. Esta é a questão mais relevante do filme e que nos faz pensar: será que em algum momento isto pode acontecer com a humanidade? O longa traz essa similaridade muito próxima ao que vivemos hoje e a mensagem crítica e provocativa realmente é pra ser considerada.

Voltando ao filme, nenhuma atuação, nem do consagrado Gary Oldman, supera a de Andy Serkis (novamente em computação gráfica) com sua brilhante performance como César. Há momentos em que pensamos que o seu personagem realmente é real, tamanha identificação e caracterização que a tecnologia permite ao ator. E claro, ele se tornou um especialista neste tipo de papel depois de interpretar Gollun (Senhor dos Anéis e O Hobbit) e King Kong, além do próprio César no primeiro filme. Será que um dia o veremos ser indicado a algum prêmio por suas atuações digitais?

Outro fator que eu não poderia deixar de fora, é a maestria dos efeitos especiais. Desde 'Gravidade' não via recursos tão bem desenvolvidos, que beiram a perfeição. O trabalho bem feito fica evidente com os rostos e corpos dos animais durante o filme e também de seus movimentos, que dá calafrios.

E quem pensa que o filme é parado, se engana completamente. Há muita ação, muitas lutas, batalhas e explosões. Portanto, é uma história para todos os gostos. E o melhor: um roteiro impecável. Surpreendentemente - confesso que não esperava - o diretor conseguiu aliar uma espetacular computação gráfica com um elenco de peso e um roteiro encaixado. Um filme que te prende do início ao fim. Sinceramente? Não deixe de ver.
 
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