ESTUDO

Brasileiro aumenta gasto com ensino fundamental e médio

Pesquisa da Unicamp avaliou os investimentos no começo e no final dos anos 2000
25/08/2014 | - Atualizado em 25/08/2014 - 17h51 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Divulgação/Unicamp
Dinheiro investido no ensino fundamental e médio aumentou, ao contrário do que ocorreu com a educação superior
Dinheiro investido no ensino fundamental e médio aumentou, ao contrário do que ocorreu com a educação superior
Uma pesquisa do Instituto de Economia da Unicamp mostrou que valor médio investido pelos brasileiros nos ensinos fundamental e médio aumentou 3,5% entre 2002-2003 e 2008-2009. Na contramão, o dinheiro gasto com o ensino superior foi 22% menor durante o mesmo período.
  
O estudo foi feito com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). "Conseguimos capturar, pelos dados, que há uma associação entre renda e despesas em educação: quanto mais rica a família, maior proporção de seu respectivo consumo é destinada a despesas com educação. A renda das famílias elevou-se, mas o crescimento de renda foi tanto mais intenso quanto mais pobres os domicílios”, disse a autora do estudo, Maria Alice Pestana de Aguiar Remy.
 
As unidades da federação onde as famílias passaram a gastar mais com educação básica foram Amapá (156%), Santa Catarina (148%) e Paraíba (70%). Já os que tiveram maior queda foram Amazonas (-38%), Roraima e Distrito Federal (em ambos os casos, -31%). Já as despesas com ensino superior caíram mais em Mato Grosso (-59%), Espírito Santo (-49%) e Distrito Federal (-46%).
 
Ensino privado
 
Na comparação entre os dados de duas PNADs – de 2001 e de 2012 – a pesquisadora encontrou um movimento de fuga para o ensino fundamental privado em todas as faixas de renda, mas mais acentuado entre as parcelas mais pobres da população. A proporção de matrículas na rede privada, entre os 10% mais pobres, passou de 0,9% para 2,4%. Nos 20% mais pobres, o salto foi de 1,6% para 3,9% e assim sucessivamente.
 
“O que a gente observa, comparando o início e o fim dos anos 2000? Que houve aumento no gasto para um aluno de ensino privado no nível fundamental e médio, e houve redução para o valor gasto com aluno em ensino privado superior”, afirma Maria Alice. 

Essa queda nos desembolsos com ensino superior ocorreu mesmo diante do grande aumento do número de alunos para essa etapa da educação, principalmente no setor privado, com o total de matrículas em cursos presenciais de graduação saltando de pouco mais de 3 milhões em 2001 para 5,4 milhões em 2010, segundo dados do MEC.

“Houve uma proliferação das instituições privadas de ensino de nível superior”, reconhece Maria Alice, “mas houve também dois elementos fundamentais: a proliferação de universidades públicas, com a criação de novas instituições de ensino superior federais, e as ações afirmativas” que contemplam bolsas de estudo e mecanismos de crédito estudantil.
 
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