ARTIGO

O avanço da construção civil e o teto imobiliário brasileiro

Análise é do economista da IBE-FGV, Marcos Fontes
19/08/2014 | - Atualizado em 15/08/2014 - 20h06 Divulgação
faleconoscorac@rac.com.br
Foto: Janaína Maciel/Especial para a AAN
Construção civil acelerou no Brasil após a crise nos EUA
Construção civil acelerou no Brasil após a crise nos EUA
A crise financeira de 2008 nos Estados Unidos protagonizada pelos fundamentos frágeis e especulativos do mercado imobiliário daquele país trouxe reflexos para outros diversos países e se convencionou chamar de “bolha imobiliária” qualquer movimento de aumento de preço do m2 acima dos índices de inflação por determinado médio prazo.

Vale recordar que o Brasil enfrentou a crise com uma medida contra cíclica denominada Programa Minha Casa Minha Vida, de maio de 2009. Esse programa governamental teve reflexo imediato na questão do emprego e da renda na Indústria da Construção Civil. Com este medida também vimos o PIB da Construção Civil saltar de 3% para os 8% atuais, com ainda grande margem de crescimento se considerarmos esta relação em países inclusive da América Latina.

Este crescimento foi impulsionado pela ampla disponibilização de crédito imobiliário para todas as faixas de renda pelos bancos estatais e privados, que viram no mercado imobiliário novamente um excelente negócio. Este movimento começa a ficar “maduro” depois de cinco anos de crescimento ininterrupto.

Como o Real Estate brasileiro é relativamente novo, vemos muitos amadores fazendo análises açodadas e ate influenciando decisões estratégicas, como foi o caso dos IPO das grandes construtoras e o desorientado movimento de compra de terrenos nos anos de 2010 e 2011, culminando com o grande estoque do final de 2013 e início de 2014.
 
Portanto, num mercado extremamente assimétrico e potencialmente desafiador, só agora começamos a ver analises e estudos mais consistentes, regionalizando tendências de preços em função principalmente do excesso de oferta em relação à demanda e nunca de uma bolha imobiliária tupiniquim.
 
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Marcos Fontes é economista da IBE-FGV especialista nas áreas de Finanças e Imóveis com ênfase em crédito imobiliário e construção civil.
 
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